Segunda-feira, Setembro 20, 2010
Comecemos pela hierarquia, (note-se que as “patentes” mais elevadas se destinam aos e às que conseguirem chumbar um maior número de vezes) e que as várias designações se podem resumir (segundo o código de Praxe) em, alun@s com uma matricula –ANIMAIS - e alun@s com mais matriculas- DOUTORES/AS. Logo aqui é possível verificar que na praxe as relações não se estabelecem de todo com base na igualdade e respeito mútuos.
Além da hierarquia, este código contém uma série de punições que servem supostamente para “domesticar”, principalmente aqueles e aquelas que são designad@s por animais (embora as sanções não excluam outr@s). Por exemplo, e citando o código, artigo nº18 “a) É vedada aos bichos vestindo Capa e Batina a transposição da Porta Férrea ou porta de qualquer Faculdade. b) No caso de infracção o bicho será montado por um caloiro, por indicação de um doutor na PRAXE ou de veterano mesmo à futrica, desde o local onde se encontra até à Porta Férrea ou à porta principal da Faculdade, consoante os casos.”.
Este, entre outros casos, leva-nos inevitavelmente a questionar: Se o traje académico, segundo os defensores da praxe e da (falsa) tradição académica, é sinónimo de igualdade, porque é que o seu uso nalguns casos conduz a uma punição que prevê um retrocesso mental e físico da pessoa que o utiliza? A resposta surge-nos quase de imediato, de facto o traje não pode ser visto como uma forma de atenuar as discrepâncias sociais, uma vez que por si só cria desigualdades e hierarquias que atribuem diferentes estatutos às e aos estudantes e que submetem uns/umas em detrimento de outr@s.
Um aspecto que reflecte todo o “espírito” deste guia da irracionalidade e incoerência é o facto de surgirem uma série de artigos que se destinam a explicar como as pessoas que aderem à praxe se podem proteger dela. Ora, geralmente, as pessoas tendem a procurar protecção em caso de perigo, será que @s autores/as deste código estão sub-repticiamente a alertar @s leitores/as para o perigo da praxe? Ou será possível que a obediência cega @s tenha colocado demasiado fora da lógica ao ponto de cometerem tal incoerência despercebidamente? De facto, o acto de praxar implica um estado avançado de apatia cerebral que a médio prazo é mesmo capaz de conduzir à incapacidade de pensar, constituindo assim, uma ameaça e perigo à integridade física e psicológica daquelas/es que dela fazem parte.
A Praxe reproduz ainda uma série de preconceitos ao mesmo tempo que fabrica outros. Na verdade não se pode esperar muito daqueles e daquelas cujo passatempo é humilhar, e daqueles e daquelas cujo dia a dia se resume a obedecer. Ao passearmos a cidade, “principalmente agora que abriu a época de caça”, não é de estranhar que vejamos situações sexistas, homofóbicas, xenófobas, enfim… Será este o produto de uma formação designada como formação superior? Letras de “músicas” como “mulher gorda não convém a ninguém” ou, “Nós só queremos cuecas amarelas/
Sapatos com fivelas/Para ir à cona delas”, estas entre outras barbaridades, são entoadas um pouco por todo o país, o que esclarece e põe em evidência o nível de formação das pessoas ocupadas com a praxe. Assiste-se a uma estagnação dos indivíduos e do natural desenvolvimento psicológico que seria esperado numa altura como o ingresso no ensino superior.
O paternalismo, outra das características deste conjunto de práticas, tem o seu exponente máximo nas trupes que ditam e punem @s estudantes que se “encontrem na via pública” após o horário estipulado pelo código. Tendo em conta que até perante o Estado as pessoas a partir dos 18 anos são consideradas responsáveis pelos seus actos, parece no mínimo absurdo que sejam @s colegas a usurpar a autonomia d@s mais nov@s.
Escrito por República das Marias do Loureiro
Plataforma Anti Praxe Académica
Somos um grupo de pessoas que se organiza autónoma e livremente, lutamos para que as relações entre as pessoas se estabeleçam em igualdade e no respeito pela liberdade e autonomia individuais.
Defendemos uma universidade sem preconceitos nem hierarquias – sem praxe -! Politicamente interventiva, na qual cada uma tenha voz política activa, crítica e reivindicativa imprescindível para a mobilização e insubordinação perante o actual panorama político e socioeconómico neoliberal.
Lutamos pela não mercantilização do ensino e o livre acesso ao conhecimento numa universidade que promova a co-educação e políticas universitárias construídas com a participação igualitária de todas e todos as e os intervenientes (estudantes, professoras/es e funcionarias/os). Exigimos um ensino que compreenda o conhecimento enquanto desenvolvimento pessoal e intelectual e que promova a autonomia individual, a liberdade e o pensamento crítico.
Reivindicamos uma universidade que se insurja no combate a práticas que promovam qualquer forma de opressão, tal como o sexismo, o racismo ou o militarismo.
Por tudo isto, consideramos a praxe um instrumento de alienação que fomenta o acriticismo e a apatia no meio universitário, promovendo relações hierárquicas e valores conservadores, que atentam contra a dignidade e os direitos humanos.
Com o argumento da necessidade de integração, a praxe é um obstáculo à tua autonomia individual, desenvolvimento pessoal e intelectual plenos, fundamentais para a tomada de consciência crítica e activismo político e social comprometido com o combate às injustiças e desigualdades sociopolíticas e económicas. A praxe impõe sociabilidades que não se estabelecem através de relações espontâneas, verdadeiras e igualitárias e que promovem formas de convívio baseadas no consumismo, no paternalismo e no autoritarismo. No entanto, existem espaços de convívio sem praxe, onde somos livres e iguais e que mostram que as práticas praxistas são inúteis e obsoletas no desenvolvimento das relações entre as pessoas.
Sexta-feira, Maio 14, 2010
Sexta-feira, Abril 30, 2010
Domingo, Fevereiro 21, 2010
Tráfico de mulheres e crianças para fins de exploração sexual
Como afirma Maria Lúcia Leal (2002:31), existe "um projecto de sexualidade racionalizado pelo mercado violento da indústria sexual, cuja relação é fortalecida por uma oferta de mulheres e meninas( incluindo meninos) em situação de vulnerabilidade social, a uma demanda (especialmente masculina, pertencente a diferentes classes sociais) potencialmente voltada para o consumo de serviços sexuais pagos.(...) O que está em jogo é a satisfação do desejo sexual [ de homens] ( de propriedade do consumidor), o lucro e as relações de poder desigual instrumentalizadas sob a égide da exploração e dominação de classe, género, raça/ etnia e geração( crianças e adolescentes)."
Assim, o tráfico de mulheres e crianças não deve ser entendido como duas formas distintas de tráfico e é impossível não relacioná-lo com a prática da prostituição e o crescente desenvolvimento da indústria do sexo direccionada para homens.
Malka Marcovich refere que "as transformações geopolíticas dos últimos 20 anos, a globalização económica transnacional, a globalização da comunicação, entre outras coisas, favorecem a consolidação de novos discursos, que transformaram e perverteram a visão nascida da «libertação sexual» dos anos 70, para proveito de uma liberal comercialização das mulheres(...)em nome da modernidade e da liberdade, desenvolveu-se uma propaganda mundial que conduziu à vulgarização e ao ressurgimento de uma visão arcaica da sexualidade humana, fundamentalmente desigualitária, focalizada essencialmente no funcionamento mecânico do aparelho genital masculino, reactivando fantasmas sobre as pretensas necessidades irreprimíveis dos homens, veiculando ainda mais os estereótipos racistas e sexistas visando as mulheres de uma ou de outra origem."
As políticas dos Estados e as políticas fomentadas por instâncias internacionais como a ONU só recentemente iniciaram medidas de combate ao tráfico humano para fins de exploração sexual, desenvolvendo Protocolos e legislação, mas na realidade estas medidas não são verdadeiramente postas em prática, o que se reflecte, por exemplo, na interpretação e prática jurídica de vários Estados, nomeadamente o Estado português, sobre o tráfico de mulheres, que camuflam este fenómeno confundindo-a com a incitação à imigração ilegal, o que leva a que muitas mulheres vítimas de tráfico sejam consideradas imigrantes ilegais, e por isso punidas, enquanto os traficantes e proxenetas são apenas acusados de incitação à imigração ilegal e são impunes e livres de perpetuar o tráfico de mulheres e crianças.Este facto demonstra como a maior parte dos Estados de Direito são coniventes e compactuam com as práticas de tráfico humano e mais especificamente de mulheres e crianças, na sua maioria vítimas de tráfico sexual, dando prioridade às preocupações xenófobas para controlar a imigração em detrimento da defesa e garantia dos direitos e liberdades das mulheres e das crianças, para além dos interesses económicos gerados pelos lucros provenientes da indústria do sexo que subsiste do tráfico de mulheres e crianças e da sua exploração sexual. "Alguns estados e organizações legais estão, de maneira mais ou menos directa, associados a esta economia, o que torna por vezes impossível confiar na fiabilidade das estatísticas.Diversas agências internacionais afirmam que a exploração de seres humanos é muito mais rentável que os tráficos de armas e de droga e que as penas previstas para a primeira permanecem globalmente inferiores às que visam estes dois últimos."(Malka Malcovich)
A reacção político-económica e este fenómeno é reveladora, mais uma vez, das sociedades heterofalocêntricas que constroem e praticam os sistemas jurídicos que ainda relevam valores moralistas e discriminatórios em relação às mulheres, não dando primazia ao combate ao tráfico de mulheres e também crianças, na sua maioria dos sexo feminino.
A maior parte das mulheres e crianças traficadas são provenientes dos países pobres, os chamados países do terceiro mundo, e transportadas para os países ricos, principalmente da Europa, EUA e Austrália para ingressarem na indústria sexual. Contudo a prática da prostituição e consequente exploração sexual de mulheres e crianças está presente também nos países mais pobres, por exemplo, como forma de atracção turística- o chamado turismo sexual, além de que muitas mulheres e crianças dos países ricos também são raptadas ou coagidas a ingressar nas redes de tráfico para fins de exploração sexual.
O tráfico de mulheres e crianças é um fenómeno à escala mundial, colocando todas as mulheres e crianças sob a sua ameaça.
Terça-feira, Fevereiro 16, 2010
Domingo, Dezembro 13, 2009
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
Manifesto
Porque reivindicamos o livre acesso ao conhecimento e um ensino não orientado pelo mercado de trabalho onde a educação não seja mercadoria.
Porque nos recusamos a aceitar as políticas neoliberais autoritárias e repressivas impostas pelo Estado e as suas repercussões nas Universidades como a implementação do processo de Bolonha e a progressiva privatização do ensino superior.
Porque consideramos as prescrições uma forma de punição sobre as/os estudantes.
Porque somos contra as medidas do RJIES que acabam com a universidade democrática, impondo uma nova organização nas universidades com a implementação do novo Conselho Geral da Universidade onde há a representação de órgãos externos em detrimento da perda de representatividade das/os estudantes.
Porque lutamos pela auto-gestão das instituições de ensino e reivindicamos o final de uma organização e gestão hierarquizadas.
Porque reivindicamos uma co-educação, anti-patriarcal, laica e contra quaisquer outros grupos de pressão.
Porque as políticas neoliberais impostas pelo Estado não afectam só as/os estudantes mas a sociedade em geral promovendo injustiças e desigualdades sociais.
Porque nos recusamos a aceitar políticas autoritárias e repressivas.
Porque recusamo-nos a ser governadas/os por quem não nos quer ouvir.
Porque não podemos consentir que nos suprimam as liberdades individuais e colectivas.
Porque não queremos regressar ao passado autoritário e repressivo.
As vozes não se podem calar frente às sucessivas medidas políticas que nos usurpam direitos essenciais e instigam a injustiça e desigualdades.
Continuaremos a ser insurgentes.
Continuaremos a desobedecer.
De escravas dóceis do capital a lutadoras conscientes pela liberdade.
Este manifesto foi feito para ser distribuído na Manifestação de 17 de Novembro de 2009 em Lisboa organizada por algumas associações académicas do país, lamentamos que tenham apelidado esta manifestação de "Marcha pelo Ensino superior" nomeação que transparece sem dúvida a ambiguidade das posições políticas destas associações, principalmete a da associação académica de coimbra, na qual não nos revemos considerando que a nossa demanda principal para o ensino superior é a luta por ensino público, gratuito e de qualidade liberto de uma visão mercantilista e economicista,esta associação nesta "marcha"e em toda a sua actividade sob o comando da direcção geral dizem não ser contra, mas por mais financiamento, acção social e ensino de qualidade, deixando de lado a luta contra as propinas e bolonha , bem como a defesa de um ensino público e gratuito, de facto não consideramos que defendam realmente os direitos das/os estudantes, por estas razões e por muitas outras mais resolvemos escrever este manifesto no sentido de expressar a nossa revolta e resistência contra o neoliberalismo emergente nas políticas dos Estados, incluindo o Estado português, que afectam não só as/os estudantes MAS MUITAS MULHERES, HOMENS E CRIANÇAS QUE DIARAMENTE TENTAM A SOBREVIVÊNCIA NUM MUNDO DE MISÉRIA E INJUSTIÇAS...Consideramos que as/os estudantes devem ter consciência da sociedade em que estão e estar implicados na luta por um mundo mais justo, igualitário e não apenas preocupados com os seus próprios interesses comportando-se como um grupo elitista à parte da sociedade e da política.......
Sábado, Agosto 08, 2009
| Ministério da Saúde discrimina homossexuais. | | | |
A necessidade de garantir que os potenciais dadores não têm comportamentos de risco que, em termos objectivos e cientificamente comprovados, podem constituir uma ameaça à saúde e à vida dos potenciais beneficiários, leva à exclusão dos potenciais dadores masculinos que declarem ter tido relações homossexuais.
Esta orientação constitui uma grave violação do princípio da igualdade garantido pela Constituição da República Portuguesa. O seu artigo 13º é claro: nenhum/a cidadão/cidadã pode ser discriminado em função da sua orientação sexual. Ora, proibir homens homossexuais de doar sangue só por terem relações homossexuais é manifestamente uma prática discriminatória sem qualquer fundamento científico. Científico é o facto de comportamentos de risco deverem ser, esses sim, para todos/as – homens e mulheres, homossexuais e heterossexuais - factores que originem a proibição de doar sangue e não milhares de homens, indiscriminadamente e independentemente de terem tido ou não comportamentos de risco, serem excluídos dessa possibilidade. A homossexualidade não é sinónimo de comportamentos de risco, assim como a heterossexualidade não é garante da sua ausência.
Nesta matéria têm-se observado sucessivos avanços e recuos. Após vários anos de denúncia, designadamente pelo movimento LGBT , em finais de 2005 o Instituto Português de Sangue estipulou finalmente o fim da proibição de doação de sangue por parte doadores homossexuais masculinos sustentando que, de facto, se tratava de uma estigmatização sem fundamento científico. Contudo, e como por várias vezes o movimento LGBT alertou, em muitos hospitais a prática continuava a excluir homossexuais da possibilidade de doar sangue. Perante tais factos, os/as responsáveis políticos/as foram sempre titubeantes nas suas explicações e declarações. Agora, o Ministério da Saúde assume aquilo que a prática de muitos hospitais vinha provando e que várias organizações denunciavam: uma prática discriminatória que põe de lado milhares de potenciais doadores/as quando existe sempre necessidade de sangue Estes avanços e recuos somente contribuem para o aumento do estigma em relação aos homossexuais que em nada favorece uma sociedade que se quer livre, inclusiva, democrática
Relembramos dados do relatório Infecção “VIH/SIDA - A situação em Portugal, 31 de Dezembro 2008”, do Ministério de Saúde e do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge:
Em síntese, durante o ano de 2008, a categoria de transmissão “heterossexual”, para o total de casos nesta categoria, regista 57,6% dos casos notificados (PA, Sintomáticos não-SIDA e SIDA), a transmissão associada à toxicodependência apresenta o valor de 21,9% e os casos homo/bissexuais são 16,8 % do total (2008:6).
“Os casos de SIDA apresentam a confirmação do padrão epidemiológico registado anualmente desde 2000. Verifica-se um aumento proporcional do número de casos de transmissão heterossexual (…) (2008:7)”.
Nem a ciência, nem as estatísticas, nem – acima de tudo – os princípios da não discriminação e da igualdade justificam tal orientação do Ministério da Saúde pelo que pedimos, por isso, que esta orientação seja urgentemente revista e sugerimos que a pergunta feita a todos/as os/as dadores/as seja “se têm comportamentos de risco”, em vez de se perguntar qual a sua orientação sexual.
P’la não te prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais
http://www.naoteprives.org/
Segunda-feira, Junho 01, 2009
MOVIMENTO PELA IGUALDADE
no acesso ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo
A igualdade no acesso ao casamento civil é uma questão de justiça que merece o apoio de todas as pessoas que se opõem à homofobia e à discriminação. Partindo da sociedade civil, a luta pelo acesso ao casamento para casais de pessoas do mesmo sexo em Portugal conta neste momento com um crescente apoio político e social. Nós, cidadãos e cidadãs que acreditamos na igualdade de direitos, de dignidade e reconhecimento para todas e todos nós, para as/os nossas/os familiares, amigas/os, e colegas, juntamos as nossas vozes para manifestarmos o nosso apoio à igualdade.
Exigimos esta mudança necessária, justa e urgente porque sabemos que a actual situação de desigualdade fractura a sociedade entre pessoas incluídas e pessoas excluídas, entre pessoas privilegiadas e pessoas marginalizadas; Porque sabemos que esta alteração legal é uma questão de direitos fundamentais e humanos, e de respeito pela dignidade de todas as pessoas; Porque sabemos que é no reconhecimento pleno da vida conjugal e familiar dos casais do mesmo sexo que se joga o respeito colectivo por todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, e pelas famílias com mães e pais LGBT, que já são hoje parte da diversidade da nossa sociedade; Porque sabemos que a igualdade no acesso ao casamento civil por casais do mesmo sexo não afectará nem a liberdade religiosa nem o acesso ao casamento civil por parte de casais de sexo diferente; Porque sabemos que a igualdade nada retira a ninguém, mas antes alarga os mesmos direitos a mais pessoas, acrescentando dignidade, respeito, reconhecimento e liberdade.
Em 2009 celebra-se o 40º aniversário da revolta de Stonewall, data simbólica do início do movimento dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros. O movimento LGBT trouxe para as democracias - e como antes o haviam feito os movimentos das mulheres e dos/as negros/as - o imperativo da luta contra a discriminação e, especificamente, do reconhecimento da orientação sexual e da identidade de género como categorias segundo as quais ninguém pode ser privilegiado ou discriminado. Hoje esta luta é de toda a cidadania, de todos e todas nós, homens e mulheres que recusamos o preconceito e que desejamos reparar séculos de repressão, violência, sofrimento e dor. O reconhecimento da plena igualdade foi já assegurado em várias democracias, como os Países Baixos, a Bélgica, o Canadá, a Espanha, a África do Sul, a Noruega, a Suécia e em vários estados dos EUA. Entre nós, temos agora uma oportunidade para pôr fim a uma das últimas discriminações injustificadas inscritas na nossa lei. Cabe-nos garantir que Portugal se coloque na linha da frente da luta pelos direitos fundamentais e pela igualdade.
O acesso ao casamento civil por parte de casais do mesmo sexo, em condições de plena igualdade com os casais de sexo diferente, não trará apenas justiça, igualdade e dignidade às vidas de mulheres e de homens LGBT. Dignificará também a nossa democracia e cada um e cada uma de nós enquanto cidadãos e cidadãs solidários/as – e será um passo fundamental na luta contra a discriminação e em direcção à igualdade.
Para assinar a petição:
http://www.igualdade.net/http://
www.petitiononline.com/mpi/petition.html
Terça-feira, Março 03, 2009
Domingo, Novembro 25, 2007
umas verdades sobre a praxe
que inicia a sua vida universitária uma fraqueza, que explora a seu belo
prazer com o intuito de @ controlar.
A praxe nao é integraçao este é apenas um argumento que camufla o
universo hierárquico e hierarquizante em que @ estudante é inserid@
e que @ remete a uma condiçao submissa e de inércia. A praxe é uma
prática reaccionária, um ciclo vicioso que se perpetua, onde @s que
foram praxad@s, humilhad@s e controlad@s, tornam-se os tais
"doutor@s" que humilham e controlam. a tradiçao praxista é autoritária
e controla-te ao ponto de sentires medo de dizeres NAO a "brincadeiras" humilhantes.
A praxe ameaça e suprime a tua liberdade.
Diz nao à praxe, por uma universidade
sem preconceitos e hierarquias e
verdadeiramente interventiva.
República das Marias do Loueriro
Sábado, Setembro 22, 2007
Manifiesto por la libertad de los presos políticos indígenas
Oaxaca de Juárez, Oax. 15 de Septiembre de 2007
Al los pueblos de Oaxaca:
A los pueblos de México:
A los pueblos del Mundo:
A los pueblos indígenas:
A la Otra Campaña:
A 11 años de injusto encarcelamiento a 12 indígenas zapotecos de la región loxicha, los colectivos, espacios, personas y organizaciones abajo firmantes exigimos:
-Basta de represión y despojo a los pueblos indios-
Las cárceles de Oaxaca, muestran actualmente la Guerra que el Estado Mexicano en complicidad con el gobierno de Estado y las personas a su servicio ha desarrollado a lo largo de nuestra historia en contra los pueblos indios. A través de una Guerra silenciosa, las empresas y todos los partidos políticos intentan acabar a los pueblos indios, saquear sus recursos naturales, borrar con sangre su historia y despojarlos de sus territorios.
El exterminio, la explotación, las mentiras, el despojo y la cárcel han sido las únicas políticas implementadas por el gobierno del Estado y el gobierno federal en contra de los pueblos indios en Oaxaca.
En el estado de Oaxaca, existen aproximadamente 31 pres@s Polític@s indígenas, quienes se encuentran tras las rejas por su organización comunitaria autónoma, por la defensa de sus territorios y recursos naturales, por defender su derecho de libre decisión sobre los asuntos propios de su comunidad, por negarse a olvidar su cultura e historia. Tod@s ell@s se organizaron por mejores condiciones de vida en sus regiones y comunidades, sin embargo se les han inventado delitos para mantenerlos encarcelados.
13 indígenas de la región loxicha actualmente se encuentran en diferentes cárceles del Estado de Oaxaca, 12 de ell@s cumplirán 11 años tras las rejas, a algunos injustamente se les impusieron sentencias criminales de 29, 30 y 31 años de cárcel. Cuatro de ellos (Cirilo Ambrosio Antonio, Urbano Ruiz Cruz, Ricardo Martínez Enríquez y Estanislao Martínez Santiago) tienen sentencias de 13 años con 6 meses de prisión, y que prácticamente ya deben ser preliberados y sin embargo, arbitrariamente siguen presos.
El 25 de septiembre de 1996 comienza la represión masiva en contra de los y las zapotecas de la región loxicha, el Ejército Mexicano reprimió brutalmente a quienes exigían mejores condiciones de vida. El saldo “200 detenciones ilegales, 150 casos de tortura, 32 cateos ilegales, 22 ejecuciones extrajudiciales, 22 desapariciones forzadas, 137 personas presas por motivos políticos y de conciencia y un número indeterminado de abusos sexuales, hostigamiento, amenazas de muerte y procesos penales irregulares, viciados de origen” (Misión Civil de Observación de Derechos Humanos 21-24 marzo 2002).
“Hoy loxicha no es como antes, el pueblo está militarizado, existen tres bases de operaciones mixtas, cuerpos policiacos que solo causan terror a los habitantes, porque no pueden transitar libremente para realizar sus actividades cotidianas, ya que siempre están con el temor de ser interrogados o detenidos o en el peor de los casos ser acribillados por los nefastos policías que están al servicio del gobierno”. Carta Presos de Loxicha 28/08/07
Entre las personas desaparecidas por Estado mexicano y las personas a su servicio desde 1996 hasta la fecha en Loxicha, se encuentran: Marcelino Santiago Pacheco, desaparecido el 27 de abril del 2003, y su hermano Anselmo Santiago Pacheco, desaparecido la madrugada del 21 de junio de 2003.
Los nombres de nuestros compañer@s pres@s de la región Loxicha a quienes se les ha robado brutalmente su libertad, son los siguientes: AGUSTÍN LUNA VALENCIA, ELEUTERIO HERNÁNDEZ GARCÍA, ÁLVARO SEBASTIÁN RAMÍREZ, URBANO RUIZ CRUZ, CIRILO AMBROSIO ANTONIO, ABRAHAM GARCÍA RAMÍREZ, FORTINO ENRÍQUEZ HERNÁNDEZ, RICARDO MARTÍNEZ ENRÍQUEZ, JUSTINO HERNÁNDEZ JOSÉ, ESTANISLAO MARTÍNEZ SANTIAGO, MARIO AMBROSIO MARTÍNEZ Y ZACARÍAS P. GARCÍA LÓPEZ.
Todos ellos fueron detenidos a partir del 25 de septiembre de 1996. Posteriormente a esa fecha, decenas de indígenas zapotecos de Loxicha han sido arbitrariamente detenidos, entre ell@s, nuestra compañera y hermana ISABEL ALMARAZ MATÍAS quien desde el día 25 de junio del año 2002 se encuentra encarcelada injustamente.
El 23 de junio del año 2002, PEDRO CASTILLO ARAGÓN, activista, pasante de la carrera de derecho, asesor de comunidades indígenas e integrante del Comité de Defensa Ciudadana (CODECI), adherente a la Otra Campaña fue detenido arbitrariamente, brutalmente torturado y sometido a constantes interrogatorios a base de tortura física y sicológica. Actualmente, a más de 5 años de su detención sigue injustamente preso.
En junio de 2002 detienen injustamente al joven GONZALO LÓPEZ CORTES, quien había participado en la Casa del Estudiante Indígena, una casa para estudiantes de escasos recursos. Actualmente lleva 5 años encarcelado.
En enero del año 2005, 3 compañeros indígenas: ABRAHAM RAMÍREZ VÁZQUEZ, NOEL GARCÍA CRUZ Y JUVENTINO GARCÍA CRUZ, integrantes de la Coordinadora Magonista Popular Antineoliberal (COMPA) y del Comité por la Defensa de los Derechos Indígenas (CODEDI) de Santiago Xanica, fueron detenidos injustamente por la policías del Estado de Oaxaca. Bajo falsas acusaciones actualmente se encuentran encarcelados en Pochutla, sin embargo la detención se debe a su participación en la organización comunitaria y por exigir mejores condiciones de vida para las comunidades. Estos 3 compañeros luchadores sociales, fueron los primeros presos políticos del gobierno fascista de Ulises Ruiz Ortiz.
5 presos del Ayuntamiento Popular Autónomo de la Villa de San Blas Atempa: A partir del mes de agosto del año 2005 hasta el 1 de marzo de 2006 fueron detenidos varios compañeros de este ayuntamiento, actualmente quedan 5 en prisión: ALFREDO JIMENEZ HENESTROSA, JORGE REYES RAMIREZ, FELICIANO JIMENEZ LOPEZ, JOSE LUIS SANCHEZ GOMEZ Y NICANOR SALUD RASGADO indígenas zapotecos habitantes de San Blas Atempa. La fianza para lograr la libertad de estos compañeros asciende a casi 900 mil pesos por cada uno y es imposible de pagar.
El 1 de marzo de 2006 entra la fuerza pública a desalojar el Ayuntamiento Autónomo y detiene 10 personas y se liberan 94 órdenes de aprehensión contra los habitantes, de las cuales hoy están vigentes 44 pues las demás fueron canceladas. Meses después del desalojo, es asesinado el Tesorero del Ayuntamiento Autónomo de San Blas Atempa, el señor Faustino Acevedo Bailón que ese día viajaría al Congreso Nacional Indígena en el Estado de México como delegado de San Blas Atempa. Su lucha es contra la cacique priista Agustina Acevedo Gutiérrez, por desaparición de poderes en el municipio, su exigencia es el desafuero de la diputada local Agustina Acevedo Gutiérrez, para darle paso a un proceso de investigación judicial por los crímenes y corrupciones que ha estado cometiendo en el municipio.
7 pres@s polític@s del Consejo Indígena Popular de Oaxaca-Ricardo Flores Magón y San Isidro Aloapam, JUANA MORALES PÉREZ, JUVENTINO CRUZ PÉREZ, EUTIMIO MÉNDEZ LÓPEZ, ANASTASIO LÓPEZ PÉREZ, ARTEMIO PÉREZ CRUZ Y SANTOS PÉREZ CRUZ, originarios de San Isidro Aloapam y NOÉ RAMOS HERRERA indígena preso injustamente.
San Isidro Aloápam es una comunidad indígena Zapoteca de la Sierra Norte, del municipio de San Miguel Aloápam del Estado de Oaxaca, México. La Comunidad resiste día a día en el cuidado de su bosque y su territorio. El 18 de junio de 2007 sufrieron la agresión de un grupo priista respaldado por el gobierno de Ulises Ruiz Ortiz y funcionarios federales. A partir de esto se ha querido hacer ver a la comunidad como un lugar de guerrilleros y de personas violentas, cuando en realidad han defendido sus bosques de manera pacífica, resistiendo y protegiendo su territorio, conservando y alimentando su vida comunitaria ante los embates de los gobiernos y de las grandes empresas nacionales e internacionales que están despojando y exterminando a los pueblos indios para quedarse con sus territorios y recursos.
Nos queda claro que todas las acusaciones en contra de estos compañeros y compañeras indígenas son inventos del gobierno del Estado, del gobierno federal, de los policías y militares para acabar con la resistencia indígena y con las y los indígenas. Resistencia que ha sido el ejemplo y sabiduría que ha recorrido nuestras tierras que no se venden, la esperanza de que en la práctica puedan existir libertad y autonomía para los pueblos del campo y de la ciudad.
Sabemos que en estas fechas, en todo el territorio mexicano se agudiza la guerra en contra de los pueblos indios, desde el sur, hasta el norte de México se vienen dando injusticias, asesinatos, militarización, despojo, explotación, abusos, represión y muerte en contra de los pueblos que luchan por sus autonomías, sus historias, sus territorios y recursos naturales.
Por información de las compañeras y compañeros de la Junta de Buen Gobierno Hacia la Esperanza sabemos y nos llena de coraje, las agresiones cobardes de Felipe Calderón Hinojosa y Juan Sabines Guerrero Gobernador de Chiapas en contra de l@s herman@s indígenas en Chiapas, quienes mandaron a desalojar y detener a los habitantes de los pueblos de San Manuel y Buen Samaritano, que son acusados de estar destruyendo las montañas de reserva ecológica de los montes azules, cosa que no es verdad. A esos pueblos, cobardemente llegaron policías en helicópteros, robando las cosas, destruyeron las viviendas y se llevaron a los habitantes. Además los gobiernos estatal y federal pretenden realizar más desalojos en los poblados Salvador Allende y Nuevo Corozal. Todo ello simplemente por que los pueblos viven en la tierra que trabajan y no la usan como mercancía y eso estorba a las empresas que quieren despojar a los pueblos de sus territorios. Resultado de este cobarde desalojo, muchas mujeres y niñ@s fueron sometidos a malos tratos y se encuentran desplazados en Ocosingo y viviendo en lugares donde no se tienen buenas condiciones, al mismo tiempo MARIO LÓPEZ GÓMEZ, FELICIANO LÓPEZ HERNÁNDEZ, TOMAS GÓMEZ LÓPEZ Y JUAN GÓMEZ LÓPEZ se encuentran encarcelados en la cárcel de El Amate.
Al mismo tiempo, las agresiones a las compañeras y compañeros zapatistas, muestran que el gobierno federal, impulsan en todo México una estrategia de represión y despojo en contra de los pueblos indios que buscan justicia, autonomía y libertad.
La cárcel con la que se castiga la resistencia de los pueblos indígenas se recrudece más en contra de las mujeres que además de ser indígenas son luchadoras sociales. Es el caso de las compañeras ISABEL ALMARAZ MATÍAS originaria de Loxicha que lleva 5 años tras los muros de la cárcel, JUANA MORALES PÉREZ originaria de San Isidro Aloapam detenida por defender el bosque, MAGDALENA GARCÍA DURÁN indígena mazahua proveniente de la comunidad San Antonio Pueblo Nuevo en el estado de México, es integrante del Congreso Nacional Indígena y de la Otra Campaña, fue golpeada y finalmente detenida en San Salvador Atenco en mayo de 2006, hoy la cárcel le ha robado su libertad junto con decenas de personas solidarias que acudieron a Atenco para tratar de evitar la entrada de la Policía Federal Preventiva y la policía del Estado de México.
Compañeros y compañeras pres@s indígenas luchadores sociales se encuentran encarcelados en diferentes lugares, entre otros Oaxaca, Veracruz, Estado de México, Distrito Federal, en Tabasco nuestros compañeros ÁNGEL CONCEPCIÓN PÉREZ Y FRANCISCO PÉREZ VÁSQUEZ que llevan aproximadamente 9 años y 6 meses de injusto encarcelamiento, en Guerrero el compañero DAVID VALTIERRA de la Comunidad de Xochistlahuaca y en Chiapas donde los compañeros presos de LA VOZ DEL AMATE a pesar de las amenazas sostienen dignamente un plantón y los compañeros de LA VOZ DE LOS LLANOS siguen luchando por su libertad,
Los casos antes mencionados no son todos, los presos y presas no son tod@s, solo muestran una pequeña parte de la realidad actual, pues en el olvido y el silencio decenas de mujeres y hombres de diferentes pueblos indios a lo largo de todo México se encuentran encarcelados por defender sus tierras, su cultura y por ser indígenas.
Ante ello, nos pronunciamos por la Libertad inmediata para todos y todas las presas indígenas, trabajadores, defensores y guardianes de nuestra madre tierra y cuidadores de la madre naturaleza, en Oaxaca, en México y en el mundo:
INVITAMOS A TOD@S L@S COMPAÑER@S EN OAXACA, MÈXICO Y EL MUNDO A QUE ESTE 25 DE SEPTIEMBRE DEL AÑO 2007, EN EL MARCO DE LOS 11 AÑOS DE INJUSTO ENCARCELAMIENTO DE LOS 12 HERMANOS ZAPOTECOS DE LA REGIÒN LOXICHA, EXIJAMOS LA LIBERTAD DE TODAS Y TODOS LOS PRESOS INDÌGENAS EN OAXACA Y MÈXICO. ASÌ COMO EL ALTO AL DESPOJO, MILITARIZACIÒN Y REPRESIÒN EN CONTRA DE LOS PUEBLOS INDIOS EN TODO EL MUNDO.
¡LIBERTAD PARA TOD@S L@S PRES@S INDÍGENAS!
¡BASTA DE REPRESIÒN CONTRA LOS PUEBLOS INDIOS!
¡LA TIERRA, LA CULTURA, LA HISTORIA, LA LENGUA, L@S INDÍGENAS… NO SOMOS MERCANCÍA!
Fraternalmente:
Voces Oaxaqueñas Construyendo Autonomía y Libertad (VOCAL), Comité de Defensa Ciudadana (CODECI), Ayuntamiento Popular Autónomo de la Villa de San Blas Atempa, Kolectivo Tod@s Somos Pres@s, Consejo Indígena Popular de Oaxaca-Ricardo Flores Magón (CIPO-RFM), comisión de presos de la Otra Tabasco, Colectivo Sacco y Vanzetti (Guadalajara), colectivo espiral 7 (Puebla), Pensares y Sentires (DF).
Segunda-feira, Setembro 17, 2007
femicidio
Quarta-feira, Outubro 25, 2006
PELA LIBERALIZAÇÃO DA INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ!
do Estado Português face a esta situação denuncia a repressão e consente a violação e ocultação da Mulher.
O estado português continua a descomprometer-se com aquelas mulheres que condena.
Não podemos permitir que a nossa moralidade e ética pessoais proíbam e condicionem a liberdade de optar, de decidir e o direito de ser a outros e a outras.
O ABORTO É UMA OPÇÃO NÃO É UM DEBATE PÚBLICO
Manifesto Feminista
Porque somos mulheres.
Porque temos voz.
Porque à Mulher continua a ser imposto um lugar secundário na sociedade.
Porque temos que trabalhar mais horas para conseguir salários iguais a um homem.
Porque é nosso direito decidir sobre o próprio corpo.
Porque pedimos que as Mulheres e os Homens sejam iguais na dignidade, nos direitos e que esses direitos sejam aplicados.
Porque os 2/3 de analfabetos que existem no mundo são mulheres.
Porque 99% das terras cultivadas no mundo pertencem aos homens, enquanto que as mulheres produzem 70% das culturas de subsistência.
Porque pelo menos um em dez lares são lugares de violências graves, onde as vítimas são 95% das mulheres.
Porque no mundo todos os anos 2 milhões de crianças sofrem excisão clitoriana, juntando-se aos 100 milhões de mulheres mutiladas sexualmente.
Porque a publicidade representa muitas vezes, de forma degradante, a imagem das mulheres, tal como as relações entre homens e mulheres.
Porque a larga maioria dos parlamentares no mundo são homens, enquanto que as mulheres constituiem mais de metade do corpo eleitoral.
Porque lutamos por uma tomada de consciência do valor da pessoa humana.
PORQUE QUEREMOS SER LIVRES!
NÃO QUEREMOS SER "HOMENS HONORÁRIOS", QUEREMOS SER MULHERES DE PLENO DIREITO.
DIZEMOS NÃO À OPRESSÃO, AO SILÊNCIO, À DESVALORIZAÇÃO...!
Manifesto Feminista
Porque somos mulheres.
Porque temos voz.
Porque à Mulher continua a ser imposto um lugar secundário na sociedade.
Porque temos que trabalhar mais horas para conseguir salários iguais a um homem.
Porque é nosso direito decidir sobre o próprio corpo.
Porque pedimos que as Mulheres e os Homens sejam iguais na dignidade, nos direitos e que esses direitos sejam aplicados.
Porque os 2/3 de analfabetos que existem no mundo são mulheres.
Porque 99% das terras cultivadas no mundo pertencem aos homens, enquanto que as mulheres produzem 70% das culturas de subsistência.
Porque pelo menos um em dez lares são lugares de violências graves, onde as vítimas são 95% das mulheres.
Porque no mundo todos os anos 2 milhões de crianças sofrem excisão clitoriana, juntando-se aos 100 milhões de mulheres mutiladas sexualmente.
Porque a publicidade representa muitas vezes, de forma degradante, a imagem das mulheres, tal como as relações entre homens e mulheres.
Porque a larga maioria dos parlamentares no mundo são homens, enquanto que as mulheres constituiem mais de metade do corpo eleitoral.
Porque lutamos por uma tomada de consciência do valor da pessoa humana.
PORQUE QUEREMOS SER LIVRES!
NÃO QUEREMOS SER "HOMENS HONORÁRIOS", QUEREMOS SER MULHERES DE PLENO DIREITO.
DIZEMOS NÃO À OPRESSÃO, AO SILÊNCIO, À DESVALORIZAÇÃO...!
Domingo, Março 12, 2006
MUJERES ROJAS
Manifiesto feminista contra la reforma laboral
x Mujeres Rojas - Corriente Roja
La patronal española, el gobierno del PSOE y los sindicatos CCOO y UGT están pactando una reforma laboral contra las mujeres trabajadoras. Nos ofrecen contratos a tiempo parcial para mejor conciliar la vida familiar y laboral. Debemos conformarnos con un sueldecito complementario del principal y más horas para cuidar de la familia y el hogar.
Los ya habituales despidos por embarazo se pueden generalizar porque la reforma incluye nuevas facilidades para el despido.
Nos quieren en la casa para reducir el gasto social de los servicios públicos, para que la disponibilidad de nuestros compañeros respecto de la empresa sea total (sin responsabilidades familiares), y para que la mitad de la clase trabajadora, las mujeres, quedemos segregadas, atomizadas y dependientes del compañero en las históricas tareas conocidas como “sus labores”. Y las que dispongan únicamente de su propio sueldo para vivir que busquen marido o se arreglen con 300 euros al mes. Así mejoran los beneficios empresariales, que es de lo que tratan las reformas laborales. ¡No podemos conformarnos!
Retrato robot de la precariedad
El mercado laboral no es neutro en cuanto al género porque el sistema capitalista y su lógica de acumulación y máximo beneficio se nutre de la estructura patriarcal de la sociedad que subordina a las mujeres a la “despreciada” esfera privada e impone a los hombres la dedicación exclusiva al trabajo asalariado. Por ello el retrato robot de la precariedad es una mujer, joven e inmigrante. Por ello la tasa de paro femenino es doble que la masculina, la diferencia salarial entre hombres y mujeres es del 35 por ciento y la temporalidad de las trabajadoras supera en 7 puntos a la de los trabajadores.
También por ello el 70 por ciento de los contratos a tiempo parcial los firman las mujeres, y no por decisión voluntaria sino porque es lo que hay. Y además existe una segregación laboral horizontal con sectores feminizados más precarizados, como la limpieza, el comercio, el servicio doméstico, el sector textil de la confección o la industria de la alimentación, y una segregación vertical que reserva los cargos más altos a los hombres y las escalas más bajas a las mujeres.
Las trabajadoras inmigrantes soportan la carga mayor de la precariedad en el servicio doméstico, la hostelería y los talleres clandestinos de la economía sumergida, sin papeles, sin derechos, sin contratos. Y la única alternativa para muchas es la prostitución. Más de seiscientos mil puestos de trabajo irregulares existen en el servicio doméstico, excluidos del Estatuto de los Trabajadores porque al parecer no constituyen trabajo asalariado, y la mitad de las trabajadoras que los padecen, inmigrantes en su mayoría, cobran menos de 300 euros al mes.
Denunciamos la feminización de la enfermedad
La doble jornada, la acumulación de responsabilidades laborales y familiares, la violencia hacia las mujeres, las agresiones sexuales, el menosprecio de lo femenino, la culpa exclusiva por la crisis familiar, por el fracaso escolar, por la baja natalidad, y la presión psico-social que conlleva esta organización capitalista y patriarcal del trabajo y de la vida, supone para las trabajadoras una sobrecarga y un plus de tensión que redunda en el mayor deterioro de nuestra salud física y mental. El acoso sexual en el trabajo o la amenaza con el despido ante un embarazo son factores agravantes.
Las trabajadoras padecemos el 65 por ciento de las enfermedades profesionales con baja y lesiones músculo esqueléticas no reconocidas, cuyo origen se encuentra en el tipo de trabajo que realizamos, repetitivo, de precisión y concentración, y en posturas forzadas. Y, pese a que la exposición a productos químicos produce efectos diferentes en cada sexo, los estudios se verifican únicamente para el supuesto masculino.
Discriminación femenina
La nueva reforma laboral no sirve para reducir la discriminación de las mujeres, aunque lo proclama. El capítulo IV de la reforma del gobierno PSOE, relativo a las medidas para la igualdad entre mujeres y hombres en el mercado laboral, remite a una futura ley de igualdad porque nuestros intereses y los intereses empresariales son contrapuestos.
La patronal no quiere ni oír hablar de mejoras para las trabajadoras. El resto del capítulo se limita a recomendar buenas intenciones de género en la negociación colectiva.
Contratos a tiempo parcial para las trabajadoras
Sin embargo el capítulo siguiente sí establece medidas concretas, pero en este caso para el fomento del contrato a tiempo parcial, cuyas principales destinatarias somos las trabajadoras, consagrando de esta forma la secular división sexual del trabajo que asigna a las mujeres de forma obligatoria el trabajo doméstico gratuito y los cuidados de las personas dependientes, y a los hombres el trabajo remunerado fuera del hogar.
¿Quién concilia la vida laboral y familiar?
La nueva reforma laboral se rodea de leyes complementarias como la Ley de Conciliación de la vida familiar y laboral, la Ley de Dependencia o el Plan Concilia de la administración, que pretenden buscar soluciones a la baja tasa de natalidad y el envejecimiento de la población dentro del ámbito privado y familiar, a costa de las trabajadoras y del empleo digno, sin alterar los multimillonarios beneficios de las grandes empresas y la banca, sin extender los servicios públicos y sin el ansiado reparto entre hombres y mujeres de todo el trabajo necesario para el sostenimiento de la vida.
Y lo hacen desde una falsa neutralidad en cuanto al género porque estas leyes tratan por igual al hombre y a la mujer cuando en el mercado laboral y en la sociedad las mujeres están en situación de inferioridad en el efectivo disfrute de sus derechos y porque la mayor precariedad e inferior salario nos aboca a dejar el puesto de trabajo cuando las necesidades familiares lo demandan. Por tanto, la reforma laboral y sus leyes complementarias consagran la asignación obligatoria del trabajo doméstico y los cuidados de las personas a las mujeres. Sólo conciliamos la vida familiar y laboral con nuestra doble presencia las mujeres. Los hombres se deben a la empresa y su disponibilidad ha de ser total.
Contra el patriarcado y el capitalismo
Y es que el modelo de sociedad capitalista y patriarcal descansa sobre la base de un inmenso trabajo realizado fundamentalmente por las mujeres fuera del mercado laboral, en régimen de gratuidad, invisibilidad y falta de reconocimiento. El otro pilar es la explotación de las trabajadoras y trabajadores. Nuestro bienestar, el empleo digno, la vivienda, la sanidad, la enseñanza, los derechos de las personas dependientes, del colectivo de inmigrantes, de las mujeres y de la juventud, deben sacrificarse para garantizar el aumento de los beneficios.
El retroceso histórico que experimenta el mundo del trabajo frente a los intereses del capital nos deja desarmadas ante los sindicatos amarillos que negocian en nuestro nombre, y ante gobiernos de siglas distintas, PSOE o PP, pero coincidentes con la patronal.
Sólo debemos aceptar transformaciones del mercado laboral que garanticen:
• Igualdad salarial entre hombres y mujeres.
• Reparto de todo el trabajo (remunerado y familiar) entre hombres y mujeres.
• Jornada laboral de 35 horas semanales sin rebaja salarial.
• Fin de los contratos temporales y a tiempo parcial obligatorios para las trabajadoras.
• Desarrollo de todos los servicios públicos hasta garantizar la cobertura de todas las necesidades sociales, incluidas las personas inmigrantes.
• No a los despidos por embarazo.
• Fin del acoso sexual.
TRABAJO NOS SOBRA ¡QUEREMOS EMPLEO, DIGNO Y ESTABLE!
Sólo la organización y movilización de nosotras mismas, las mujeres trabajadoras, conseguirá acabar con la dominación capitalista y patriarcal.
Os convocamos a organizarnos con todas las fuerzas, todos los brazos, todas las mentes, toda la ilusión y toda la decisión transformadora.
Quinta-feira, Outubro 20, 2005
Assédio: a violência no quotidiano
Fala-se muito de violência, de delinquência, etc, mas cala-se uma das formas mais insidiosas de violência social: o assédio, quer se "limite" ao assédio psicológico, quer se revista também do ainda mais odioso aspecto de assédio sexual (que também é um assédio psicológico), está a tomar proporções alarmantes neste país.
Muitas das suas vítimas sentem-se oprimidas e intimidadas pelos seus patrões e superiores hierárquicos, calando e sofrendo em silêncio de preferência a correrem o risco de perderem o (mísero, mas indispensável) ganha-pão.
É necessário denunciar, expor e fazer campanha para parar com estas práticas fascistas nas empresas e serviços.
Existem maneiras de se agir, como o têm feito grupos de trabalho da CGT de Espanha e noutros países, que se debruçaram sobre o fenómeno, dando aconselhamento concreto às vítimas e orientações de luta e de intervenção ao nível sindical e social. É tempo de nossas/os companheiras/os se erguerem e defenderem os seus direitos e sua dignidade.
O exemplo abaixo relatado com uma grávida é particularmente chocante. De facto, a empresa em causa terá praticamente impunidade, se apenas se deixa a "justiça" seguir o seu caminho. Terá de ser o movimento sindical a denunciar com todas as letras, com o nome da empresa e dos responsáveis directos e indirectos bem expostos e públicos, para que alguma coisa mude.
Deve-se exercer a solidariedade de classe, até ao fim!
«Grávidas são discriminadas em Portugal
ângela marques
Helena, nome fictício, foi vítima de discriminação em função do género, por motivo de maternidade, no seu local de trabalho. O seu processo de despedimento foi um dos 33 relatados à Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) em 2004. Como o seu, 24 tiveram um parecer desfavorável por parte da CITE. De acordo com o presidente desta comissão, António Lucas, "as questões relacionadas com a protecção da maternidade são as que mais ocupam a CITE".
Em Janeiro deste ano, a CITE emitiu um parecer desfavorável ao despedimento de Helena por considerar que, "não se enquadrando a conduta da trabalhadora nas normas que prevêem o despedimento e tratando-se de uma trabalhadora grávida, o despedimento configuraria uma discriminação em função do sexo, por motivo de maternidade". Um cenário que não surpreende, diz o responsável, porque "a discriminação resulta do tipo de organização da nossa sociedade, que tem demasiadas ideias feitas".
[...]
»
(retirado do DN online de 13-10-05)
Terça-feira, Setembro 06, 2005
MÉXICO.
30 de Agosto del 2005.
A tod@s l@s que suscriben la Sexta Declaración de la Selva Lacandona:
A l@s asistentes a la Reunión de ONG 's. Colectivos y Grupos:
Compañeros y compañeras:
Éstas iban a ser las palabras para el cierre de la reunión de ONG 's. Colectivos y Grupos, pero la sesión se alargó y, al final, ya un buen tanto se había retirado. Como quiera, les prometí que se las iba a mandar en una carta, así que ahí les va:
Iba yo a empezar despotricando contra los intelectuales pro-AMLO y pro-voto-por-el- menos-malo que, haciendo gala de pereza mental, se conforman con recortar y pegar frases para, de ahí, construir "malas lecturas" (me imagino que alguien se las aplaude); o que, después de un amplio rodeo, terminan por sólo decirnos que su psicoanalista y su chef son argentinos; o los que pretenden aplicarle a la "otra compaña" las tres leyes de la dialéctica académica: "pídeme perdón ", "pídeme permiso ", "pídeme orientación", y (ya sé que dije que son 3, pero como son dialécticas, siempre sale la cuarta) "pídeme dirección". Esto después de corregirles lo de "nos va a partir la madre a todos" que, como nadie se ha molestado en hacer notar, se dijo en la reunión con organizaciones políticas de izquierda. Es decir, AMLO nos va a partir la madre a las organizaciones de izquierda, no a los locutores de radio y tv, intelectuales, periodistas y editorialistas. A ellos les va a ofrecer becas, puestos, embajadas, asesorías, consulados, o la forma que tomen las caricias tan caras al medio. Luego me iba a seguir rectificando lo de "los vamos a hacer pedacitos", porque ni siquiera tienen la consistencia para que salgan pedazos, así que iba a decir: "los vamos a hacer polvorones".
Pero ya ven que no, que ahora ando de bien portado. Así que mejor les paso algunas reflexiones sobre lo que se dijo en las diferentes intervenciones en la reunión.
Dejando de lado que me traían en carrilla con lo de la panza (a mí no me engañan, pude sentir más de una mirada lúbrica y lasciva recorriendo mi apetitosa figura) y que hubo más de una alusión velada a mi machismo modelo "Pedro Infante Reloaded", escuchamos una preocupación común: la del respeto a la autonomía e independencia de los grupos y organizaciones. Más de una intervención señaló que la "otra campaña" no debía derivar en una estructura centralizada y jerárquica.
Hubo también una tendencia a buscar, y escuchar, al espejo. O sea que se escucharon entre iguales: artistas a artistas, feministas a feministas, anarcos a anarcos , medios alternativos a medios alternativos y así. Poco interés despertaban las historias que se referían a realidades distintas y hasta opuestas. Como si, aún en la diversidad convocada, cada quien buscara encerrarse en el lugar y modo de su lucha.
Se entiende que cada quien tienda a relacionarse con su cada cual, y se entiende que cada uno vea en la sexta y en la otra campaña su lugar. Después de todo, ése es el objetivo de la Sexta: en un punto común, el anticapitalista de izquierda, abrir un lugar para todos.
Pero no sólo, la Sexta y la "otra campaña" son también lugares para escuchar al que es diferente en lo común, es decir, se opone al mismo sistema pero con modos y medios diferentes.
Parque, con todo y lo variado de colores y formas que fue esa reunión, nada es comparado con el amplio abanico de diferencias que ha convocado la Sexta y se está articulando en la "otra campaña". Hay organizaciones políticas que llevan décadas enteras de lucha y resistencia anticapitalistas; hay organizaciones sociales con una larga historia de lucha y logros en la demanda de mejores condiciones laborales y de vida; hay pueblos y organizaciones indígenas que cargan no años, sino siglos de resistencia contra el racismo y de lucha por el respeto a su cultura; hay personas, hombres y mujeres que en su familia, en su barrio o en su trabajo, se preocupan por lo que pasa y algo quieren hacer para cambiarlo.
Ya tendrán oportunidad de verlos y escucharlos en la plenaria. Verán entonces que hay much@s otr@s, además de l@s otr@s que esta vez se congregaron. Hombres y mujeres que toda la vida se la han pasado buscando y luchando por transformar el sistema. No sólo tienen un discurso articulado y coherente de crítica al sistema, también tienen una propuesta alternativa. Y para concretarla hacen trabajo con sindicatos, asociaciones de colonos, agrupaciones campesinas y de productores, cooperativas, grupos estudiantiles y de maestros, pueblos y comunidades indígenas. Sus demandas tienen, en algunos casos, un horizonte definido: mejores condiciones de vida, de salario, de trabajo, respeto a la cultura, cuidado del medio ambiente. En otros, esas demandas son un medio de transformación paulatina pero profunda del sistema. Y en otros más la defensa de los derechos humanos es el espejo en el que tod@s nos miramos. Porque al fin al cabo, la demanda de respeto a la diferencia, de reconocimiento a la cultura, de mejores condiciones de vida, de un arte libre, de una información alternativa, de equidad de genero, de libertad, de democracia, de justicia, no son sino demandas de derechos del ser humano.
Ellos y ellas nos encontrarán a nosotros, los neozapatistas, a su lado en sus luchas particulares, locales, regionales y nacionales. Nosotros creemos que todos tenemos que esf orzarnos por escucharlos, es decir, por respetarlos. Porque ustedes deben entender que ellos también tienen un lugar en este "nosotros" que queremos construir grande y colectivo.
Pero escuchar y respetar no significa subordinarse, obedecer, callar. Ustedes han hecho de la crítica y el cuestionamiento sus banderas y métodos: cuestíonamíento al machísmo que se cuela hasta en el lenguaje; crítica a los grandes medios de comunicación que imponen hasta qué bebemos y cómo lo bebemos; cuestionamiento a un modo de producir y circular el arte; crítica las múltiples pirámides de mando y obediencia que se reproducen arriba... y abajo a la izquierda; cuestionamiento a las modas y modos con los que se mediatiza la diferencia; crítica a la sordera frente a la rabia del pueblo.
Porque si un movimiento anticapitalista no aspira a transformar todo y no sólo las relaciones de propiedad y producción, entonces no vale la pena y no hará sino repetir injusticias ancestrales, pero ahora con una nueva coartada.
Si la transformación que pretendemos no incluye la transformación radical de las relaciones de género entre hombres y mujeres, las generacionales entre "maduros" y jóvenes, las de convivencia entre heterosexuales y cada-quien-su-modo, las culturales entre indígenas y no indígenas, las de vida entre seres humanos y naturaleza, entonces esa transformación no pasará de ser una caricatura más entre las que ya abundan en el libro de la historia.
Alguien ahí dijo que si no podemos bailar en esta revolución es que no es nuestra revolución. Habría que agregar que si en esta revolución no cambian las relaciones entre las diferencias que pueblan el ser humano entonces no es nuestra revolución y habrá que hacer otra, y otra, y otra más, hasta que el "Nadie " que somos brille con todos los colores que somos y en todas las formas que tenemos.
Si ustedes deben entender que esos otr@s diferentes a ustedes tienen un lugar, ell@s deben entender también que ustedes tienen un lugar en el mundo, en la Sexta y en la "otra campaña ".
Hace algunos días, en la reunión con Pueblos Indios y Organizaciones Indígenas, señalamos que los neozapatísías estaríamos con los indígenas en la defensa de su diferencia y su especificidad como indígenas. Ahora les decimos que el EZLN y su Comisión Sexta estará con ustedes en la defensa de su autonomía e independencia, en su oposición a la creación de una estructura organizativa centralizada y jerárquica. Nuestra idea no es una sino muchas organizaciones, no uno sino muchos modos, no uno sino todos los colores que, abajo y a la izquierda, pintan la rebeldía.
Así que estaremos con las organizaciones políticas de izquierda que luchan contra el capitalismo y proponen una nueva relación social, con los pueblos indios que se mantienen firmes en sus derechos y cultura, con las organizaciones y movimientos sociales que demandan mejores condiciones de vida y de trabajo.
Pero también estaremos con los artistas de la calle o de lugares poco o nada conocidos, en los medios alternativos de comunicación, con los hip-hoperos o raperos o skateros o irketos o etceteretos, con la banda, con los homosexuales y lesbianas, con los travestís, transexuales y transgenéricos, con las feministas, con las organizaciones de defensa de los derechos humanos y por la libertad a los presos políticos, con los modos de los jóvenes y jóvenas, con la raza, con los individuos e individuas, en fin, con tod@s que han hecho suya la Sexta y construyen ya, con nosotros, la "otra campaña".
Podría terminar diciéndoles que no se dejen cooptar o absorber, que defiendan su espacio y su trabajo, pero estoy seguro que tod@s saben que el espíritu de la Sexta y de la "otra campaña" no es decirle a nadie lo que haga o no haga, sino escuchar, aprender y unir lo que cada quien hace.
comunicado do ezln
MÉXICO.
30 de Agosto del 2005.
A tod@s l@s que suscriben la Sexta Declaración de la Selva Lacandona:
A l@s asistentes a la Reunión de ONG 's. Colectivos y Grupos:
Compañeros y compañeras:
Éstas iban a ser las palabras para el cierre de la reunión de ONG 's. Colectivos y Grupos, pero la sesión se alargó y, al final, ya un buen tanto se había retirado. Como quiera, les prometí que se las iba a mandar en una carta, así que ahí les va:
Iba yo a empezar despotricando contra los intelectuales pro-AMLO y pro-voto-por-el- menos-malo que, haciendo gala de pereza mental, se conforman con recortar y pegar frases para, de ahí, construir "malas lecturas" (me imagino que alguien se las aplaude); o que, después de un amplio rodeo, terminan por sólo decirnos que su psicoanalista y su chef son argentinos; o los que pretenden aplicarle a la "otra compaña" las tres leyes de la dialéctica académica: "pídeme perdón ", "pídeme permiso ", "pídeme orientación", y (ya sé que dije que son 3, pero como son dialécticas, siempre sale la cuarta) "pídeme dirección". Esto después de corregirles lo de "nos va a partir la madre a todos" que, como nadie se ha molestado en hacer notar, se dijo en la reunión con organizaciones políticas de izquierda. Es decir, AMLO nos va a partir la madre a las organizaciones de izquierda, no a los locutores de radio y tv, intelectuales, periodistas y editorialistas. A ellos les va a ofrecer becas, puestos, embajadas, asesorías, consulados, o la forma que tomen las caricias tan caras al medio. Luego me iba a seguir rectificando lo de "los vamos a hacer pedacitos", porque ni siquiera tienen la consistencia para que salgan pedazos, así que iba a decir: "los vamos a hacer polvorones".
Pero ya ven que no, que ahora ando de bien portado. Así que mejor les paso algunas reflexiones sobre lo que se dijo en las diferentes intervenciones en la reunión.
Dejando de lado que me traían en carrilla con lo de la panza (a mí no me engañan, pude sentir más de una mirada lúbrica y lasciva recorriendo mi apetitosa figura) y que hubo más de una alusión velada a mi machismo modelo "Pedro Infante Reloaded", escuchamos una preocupación común: la del respeto a la autonomía e independencia de los grupos y organizaciones. Más de una intervención señaló que la "otra campaña" no debía derivar en una estructura centralizada y jerárquica.
Hubo también una tendencia a buscar, y escuchar, al espejo. O sea que se escucharon entre iguales: artistas a artistas, feministas a feministas, anarcos a anarcos , medios alternativos a medios alternativos y así. Poco interés despertaban las historias que se referían a realidades distintas y hasta opuestas. Como si, aún en la diversidad convocada, cada quien buscara encerrarse en el lugar y modo de su lucha.
Se entiende que cada quien tienda a relacionarse con su cada cual, y se entiende que cada uno vea en la sexta y en la otra campaña su lugar. Después de todo, ése es el objetivo de la Sexta: en un punto común, el anticapitalista de izquierda, abrir un lugar para todos.
Pero no sólo, la Sexta y la "otra campaña" son también lugares para escuchar al que es diferente en lo común, es decir, se opone al mismo sistema pero con modos y medios diferentes.
Parque, con todo y lo variado de colores y formas que fue esa reunión, nada es comparado con el amplio abanico de diferencias que ha convocado la Sexta y se está articulando en la "otra campaña". Hay organizaciones políticas que llevan décadas enteras de lucha y resistencia anticapitalistas; hay organizaciones sociales con una larga historia de lucha y logros en la demanda de mejores condiciones laborales y de vida; hay pueblos y organizaciones indígenas que cargan no años, sino siglos de resistencia contra el racismo y de lucha por el respeto a su cultura; hay personas, hombres y mujeres que en su familia, en su barrio o en su trabajo, se preocupan por lo que pasa y algo quieren hacer para cambiarlo.
Ya tendrán oportunidad de verlos y escucharlos en la plenaria. Verán entonces que hay much@s otr@s, además de l@s otr@s que esta vez se congregaron. Hombres y mujeres que toda la vida se la han pasado buscando y luchando por transformar el sistema. No sólo tienen un discurso articulado y coherente de crítica al sistema, también tienen una propuesta alternativa. Y para concretarla hacen trabajo con sindicatos, asociaciones de colonos, agrupaciones campesinas y de productores, cooperativas, grupos estudiantiles y de maestros, pueblos y comunidades indígenas. Sus demandas tienen, en algunos casos, un horizonte definido: mejores condiciones de vida, de salario, de trabajo, respeto a la cultura, cuidado del medio ambiente. En otros, esas demandas son un medio de transformación paulatina pero profunda del sistema. Y en otros más la defensa de los derechos humanos es el espejo en el que tod@s nos miramos. Porque al fin al cabo, la demanda de respeto a la diferencia, de reconocimiento a la cultura, de mejores condiciones de vida, de un arte libre, de una información alternativa, de equidad de genero, de libertad, de democracia, de justicia, no son sino demandas de derechos del ser humano.
Ellos y ellas nos encontrarán a nosotros, los neozapatistas, a su lado en sus luchas particulares, locales, regionales y nacionales. Nosotros creemos que todos tenemos que esf orzarnos por escucharlos, es decir, por respetarlos. Porque ustedes deben entender que ellos también tienen un lugar en este "nosotros" que queremos construir grande y colectivo.
Pero escuchar y respetar no significa subordinarse, obedecer, callar. Ustedes han hecho de la crítica y el cuestionamiento sus banderas y métodos: cuestíonamíento al machísmo que se cuela hasta en el lenguaje; crítica a los grandes medios de comunicación que imponen hasta qué bebemos y cómo lo bebemos; cuestionamiento a un modo de producir y circular el arte; crítica las múltiples pirámides de mando y obediencia que se reproducen arriba... y abajo a la izquierda; cuestionamiento a las modas y modos con los que se mediatiza la diferencia; crítica a la sordera frente a la rabia del pueblo.
Porque si un movimiento anticapitalista no aspira a transformar todo y no sólo las relaciones de propiedad y producción, entonces no vale la pena y no hará sino repetir injusticias ancestrales, pero ahora con una nueva coartada.
Si la transformación que pretendemos no incluye la transformación radical de las relaciones de género entre hombres y mujeres, las generacionales entre "maduros" y jóvenes, las de convivencia entre heterosexuales y cada-quien-su-modo, las culturales entre indígenas y no indígenas, las de vida entre seres humanos y naturaleza, entonces esa transformación no pasará de ser una caricatura más entre las que ya abundan en el libro de la historia.
Alguien ahí dijo que si no podemos bailar en esta revolución es que no es nuestra revolución. Habría que agregar que si en esta revolución no cambian las relaciones entre las diferencias que pueblan el ser humano entonces no es nuestra revolución y habrá que hacer otra, y otra, y otra más, hasta que el "Nadie " que somos brille con todos los colores que somos y en todas las formas que tenemos.
Si ustedes deben entender que esos otr@s diferentes a ustedes tienen un lugar, ell@s deben entender también que ustedes tienen un lugar en el mundo, en la Sexta y en la "otra campaña ".
Hace algunos días, en la reunión con Pueblos Indios y Organizaciones Indígenas, señalamos que los neozapatísías estaríamos con los indígenas en la defensa de su diferencia y su especificidad como indígenas. Ahora les decimos que el EZLN y su Comisión Sexta estará con ustedes en la defensa de su autonomía e independencia, en su oposición a la creación de una estructura organizativa centralizada y jerárquica. Nuestra idea no es una sino muchas organizaciones, no uno sino muchos modos, no uno sino todos los colores que, abajo y a la izquierda, pintan la rebeldía.
Así que estaremos con las organizaciones políticas de izquierda que luchan contra el capitalismo y proponen una nueva relación social, con los pueblos indios que se mantienen firmes en sus derechos y cultura, con las organizaciones y movimientos sociales que demandan mejores condiciones de vida y de trabajo.
Pero también estaremos con los artistas de la calle o de lugares poco o nada conocidos, en los medios alternativos de comunicación, con los hip-hoperos o raperos o skateros o irketos o etceteretos, con la banda, con los homosexuales y lesbianas, con los travestís, transexuales y transgenéricos, con las feministas, con las organizaciones de defensa de los derechos humanos y por la libertad a los presos políticos, con los modos de los jóvenes y jóvenas, con la raza, con los individuos e individuas, en fin, con tod@s que han hecho suya la Sexta y construyen ya, con nosotros, la "otra campaña".
Podría terminar diciéndoles que no se dejen cooptar o absorber, que defiendan su espacio y su trabajo, pero estoy seguro que tod@s saben que el espíritu de la Sexta y de la "otra campaña" no es decirle a nadie lo que haga o no haga, sino escuchar, aprender y unir lo que cada quien hace.
Quinta-feira, Junho 23, 2005
La Repsol prepara asesinato del pueblo U'wa en Colombia
más de una década contra la explotación petrolera en sus territorios
ancestrales. La coherencia y determinación de su postura, y el apoyo que consiguieron tanto en
Colombia como en el resto del mundo, hicieron que la multinacional
norteamericana Occidental Petroleum (Oxy), que tenía los derechos de
explotación, finalmente renunciara a llevar a cabo la extracción.
Desde 2003, la multinacional española Repsol ha obtenido los
derechos de explotación, y está moviéndose muy rápidamente para comenzar lo
antes posible, con el fin de no dar tiempo a organizar una campaña
internacional de apoyo al pueblo U'wa.
Las extracciones petroleras ya han demostrado en otras partes de
Colombia y el mundo que conllevan la destrucción del medio natural, del
que depende la sobrevivencia de los 7.000 indígenas U'wa y de su
cultura y conocimiento ancestrales. Los U'wa consideran el petróleo como parte
integral de la Madre Tierra, y por tanto para ellos es sagrado. Por ese
motivo, han rechazado ofertas millonarias de la multinacional Oxy,
soportado la represión militar (incluyendo bombardeos y asesinatos), y
mantenido coherentemente su cultura y valores de convivencia pacífica y
profundo respeto al medio natural. Saben que la explotación petrolífera
supondría su desaparición como cultura, lo han podido observar en otras
partes de Colombia donde se ha extraído petróleo en zonas habitadas por
pueblos indígenas. Por tanto han anunciado que prefieren una muerte
digna antes que ser destruidos cultural, ecológica y socialmente por la
extracción de petróleo.
Dado que el gobierno colombiano no muestra ninguna sensibilidad
respecto a las demandas del pueblo U'wa, el apoyo internacional es esencial para
su supervivencia. La solidaridad y movilización de diversas
organizaciones sociales de Estados Unidos fue fundamental para lograr
que la multinacional Oxy abandonase el proyecto, y del mismo modo, la
movilización de organizaciones y movimientos sociales en todo el estado
español puede ser uno de los factores decisivos para detener a la
Repsol.
AO BRAVO POVO BOLIVIANO, (...) AOS COMPANHEIROS REVOLUCIONÁRIOS DE TODO O MUNDO"
Aos militantes dos movimentos sociais brasileiro e latino-americanos.
Aos companheiros revolucionários em todo o mundo.”
Comunicado da União Popular Anarquista UNIPA # n º08 – Rio de Janeiro,
Junho de 2005
A crise política iniciada em maio de 2005 na Bolívia se encaminhou no
sentido da formação de uma situação pré-revolucionária. As mobilizações
populares massivas culminaram com o cerco da capital La Paz pelo
movimento
de massas, com o bloqueio das principais estradas do país (paralisado à
circulação de mercadorias e a economia do pais) e renúncia do
presidente
Carlos Mesa; depois com ataques ao Congresso Nacional do País, durante
o
impasse gerado pela sucessão presidencial.
Uma análise teórica de mais uma crise política na Bolívia é necessária.
Esta crise política na Bolívia se apresenta dentro de um ciclo de
crises
provocadas pelo ajuste dos paises latino-americanos aos regimes
econômicos
liberais, impostos pelo imperialismo internacional. O caso da Bolívia
serve para dar duas lições importantes ao proletariado internacional:
1º)
a primeira lição que o povo boliviano nos ensina é o da possibilidade
de
resistência popular as reformas liberais e reversão de certas medidas
desfavoráveis ao povo, impostas pelas forças burguesas e suas aliadas,
através da ação direta de massas, das greves e lutas de rua; 2º) a
segunda, diz respeito as limitações que um movimento de massas sem uma
direção revolucionária guiadas por uma teoria e um programa claros e
bem
definidos.
O povo boliviano demonstra ser um povo guerreiro, com profunda
disposição
para a luta. Sua luta tem sido tão intensa que vem provocando
sucessivas
crises política no país, primeiramente a que levou a renuncia do então
presidente Gonzalo Sánchez de Lozada em 2003 e agora “Guerra do Gás”.
Por
outro lado, e contraditoriamente, apesar da força do movimento de
massas,
da pressão que política que exerce, este movimento não evoluiu, num
primeiro momento, numa direção revolucionária. E isto é extremamente
grave, porque a lógica do sistema capitalista indica que a repressão é
uma
variação proporcional a mobilização popular, o que significa que
conforme
a mobilização de massas cresça, a repressão se ampliará, de maneira a
culminar em uma Ditadura, que teria a missão de destruir os focos de
organização popular.
Neste sentido, é preciso fugir das meras saudações alusivas e analisar
a
crise na Bolívia de um ponto de vista materialista. Indicar quais as
possibilidades e debilidades do movimento de massas diante da atual
crise
política. È isto que faremos a partir do método materialista
bakuninista.
1- Caracterização da Situação e das Alternativas na Bolívia.
Primeiramente, devemos caracterizar a situação social em que a Bolívia
entre meados de maio e o dia 10/06/2005, quando a crise pareceu tomar
uma
definição. Podemos dizer que a Bolívia vive uma situação
pré-revolucionária. Isto porque: 1) existe uma grande mobilização
popular;
2) a economia do país se encontra paralisada devido a tal mobilização;
3)
se abriu uma crise política que levou a renuncia do presidente e a um
vácuo de poder; 4) choques diretos e constantes do movimento de massas
com
os aparelhos repressivos de Estado, polícia e exército.
O atual momento é uma situação pré-revolucionária e não uma situação
revolucionária. Isto porque, até agora o povo ainda não está em armas.
Esta é a única condição objetiva que falta para a formação de uma
situação
revolucionária. As condições subjetivas foram dadas pelo trabalho
político
de mais de 10 anos dos diferentes movimentos organizados de
trabalhadores.
O movimento de massas poderia precipitar por sua ação, a formação da
situação revolucionária (com a tomada de quartéis, por exemplo).
Caso este fator venha a se somar aos demais, uma situação
revolucionária
estará dada. E aí a responsabilidade pela vitória ou derrota do
proletariado boliviano estará nas mãos dos Partidos e Movimentos
Sociais
organizados. E somente uma ação política orientada por uma teoria e um
programa poderão levar à vitória do povo.
Neste momento, podemos dizer que duas alternativas formuladas pelos
movimentos de oposição ao Governo Carlos Mesa e ao Regime Liberal se
apresentam ante o povo boliviano e a história. Uma é a via reformista e
democrático-burguesa, representada pelos movimentos organizados em
torno,principalmente, do MAS de Evo Morales. Outra seria a via
revolucionária, virtualmente possível, mas que não poderíamos indicar a
existência de forças capazes de garanti-las na Bolívia hoje. Este é um
enigma.
A via reformista aponta como solução a convocação de novas Eleições e
de
uma Assembléia Constituinte. Este é o repertório clássico das oposições
democrático-burguesas. Diante de uma situação pré-revolucionária, fica
nítida a função conservadora da proposta reformista que irá desviar as
massas do rumo da tomada do poder.
A via revolucionária indicaria três soluções: 1) a insurreição geral
(modelo da revolução russa de 1917); 2) a guerra popular prolongada
(modelo da revolução chinesa e em parte também da revolução
vietnamita);
3) a guerra de guerrilhas de curta duração (modelo cubano e em parte, o
argelino). O problema é que nem toda situação revolucionária evolui no
sentido da revolução, ela pode retroagir para compromissos
inter-classes
ou mesmo ser dissolvida pela ditadura ou outra forma de repressão
burguesa.
Para que a via revolucionária se consolide, é preciso três condições
básicas: 1) a existência de um Partido Revolucionário ou pelo menos de
uma
Frente Revolucionária (como ensina o caso da Argélia) de atuação
nacional,
que garanta uma estratégia e direção unificada de luta e a
militarização
do movimento popular no momento correto; 2) a existência de um
Movimento
de Massas forte, influenciado por tal partido ou frente; 3) a
formulação
de um Programa, que possibilite a aglutinação das maiorias das massas
para
o assalto ao Poder.
É preciso saber se tais condições existem na Bolívia hoje. E caso não
existam, aí estarão provavelmente as razões dos impasses que o
proletariado boliviano irá enfrentar. O movimento de massas, que a
esquerda mundial deve saudar com entusiasmo, logo estará diante deste
impasse. Será preciso lançar uma ofensiva revolucionária, mas existirão
condições para tal?. Se existirem condições, o caminho preferencial
será o
da insurreição geral e se esta fracassar restará a guerra popular
prolongada. Mas ao que parece tais condições não existem. Um dos
principais líderes da oposição, Evo Morales, do MAS (Movimento ao
Socialismo), tem uma orientação programática reformista. Assim como
importantes organizações populares assinaram o “Pacto de Unidade”,
documento em favor da Assembléia Constituinte. Se aceitou desmobilizar
o
povo com acordo que garantiu a posse de Eduardo Rodríguez, presidente
da
Corte Suprema de Justiça, que irá convocar eleições gerais. A via
seguida
por setores importantes do movimento de massas é a via reformista.
Por outro lado não se pode sentar apaticamente afirmando não ser
possível
fazer nada ou apoiar a via reformista democrático-burguesa. Uma
revolução
não se faz de improviso, mas também não leva o mesmo tempo para ser
preparada que os diamantes levam para se formar. A classe trabalhadora
e
as organizações revolucionárias podem criar pela sua ação consciente e
organizada as condições necessárias à revolução.
Sem as condições indicadas acima, uma Insurreição Geral na Bolívia
teria
poucas chances de sucesso. A Guerra Popular Prolongada, que exigiria a
prévia formação de um exército popular, não se mostraria também viável.
Resta então a possibilidade de uma Guerra de Guerrilhas de Curta
Duração,
que poderia evoluir para uma insurreição geral ou para a guerra popular
prolongada ou para uma forma combinada das três.
A guerra de guerrilhas seria a alternativa mais viável nestas
circunstancias por dois fatores: 1) o caráter predominantemente
camponês
do movimento boliviano; 2) o baixo grau de desenvolvimento militar
necessário para tal; 3) o desgaste e desorganização do Estado
boliviano.
Assim, a melhor alternativa dentro da via revolucionária seria o
“modelo
cubano”, em que a revolução se produziu pela combinação da guerra de
guerrilhas de curta duração com as ações de massas.
Este modelo exigirá a tomada de uma série de medidas: 1º) formação de
um
partido e/ou frente revolucionária; 2º) aplicação de uma política
formação
de quadros políticos e de gestores econômicos; 3º) formação de um
organismo militar clandestino nas cidades; 4º) formação de grupos de
auto-defesa populares; 5º) formação de bases clandestinas no campo, que
servirão como focos guerrilheiros e embriões do exercito popular; 6º)
criação de uma Rede Internacional de Solidariedade (busca de apoio de
movimentos populares na AMÉRICA Latina, especialmente na Colômbia,
Venezuela e Equador); 7º) estabelecer o controle operário-camponês,
como
alternativa a mera “nacionalização”; 8º) formação das Comunas-Sovietes
como organismos de coordenação das lutas e atividades de
produção-circulação que estiverem sob controle proletário, que se
transformarão depois nas unidades territoriais de base do poder
popular. .
Estas medidas visam à formação de um duplo poder na Bolívia: o poder
das
organizações operárias e camponesas existindo em relação de tensão
permanente com o poder de Estado. Visam também ganhar tempo sem perder
espaço, para que o proletariado militante possa organizar suas forças
políticas e militares. Seria uma forma de tentar extrair o máximo da
atual
situação pré-revolucionária vivenciada pela Bolívia, sem incorrer em
precipitações que podem levar a derrota. Esta é a solução mais realista
(segundo o nosso entendimento), sendo pautada na análise da experiência
histórica concreta e nos dados disponíveis sobre a situação boliviana
hoje. Qualquer país que se encontre numa situação similar à da Bolívia
se
defrontaria com os mesmos impasses e alternativas.
Devemos fugir das analises românticas e voluntaristas. A vitória da
revolução boliviana depende de uma correta estratégia. Mas falta ainda
compreender como e por que apesar da formação de uma situação
pré-revolucionária, da força dos movimentos populares, a revolução pode
ser derrotada. Para isso, é preciso analisar a evolução do movimento
proletário, dos partidos políticos e suas principais idéias e
estratégias.
2- Ensinamentos da Bolívia para a Revolução Brasileira e
Latino-americana.
O que a Bolívia já ensinou, e ainda ensinará para o proletariado
brasileiro e latino-americano, é exatamente o grau da força em que o
movimento popular pode alcançar sem apontar necessariamente para a
ruptura
revolucionária. Neste sentido, podemos dizer que caso a situação na
Bolívia evolua para uma guerra civil ou seja contornada por acordos,
ela
nos dá as seguintes lições (que serão discutidas com maior profundidade
teórica em outras ocasiões):
- é preciso que o movimento de massas produza formas de consciência e
organização revolucionárias, que tenham uma teoria e um programa, e que
garantirão a direção revolucionária e a militarização do movimento de
massas no momento de eclosão das situações pré-revolucionarias. Como
afirmou Bakunin, “é necessária a existência de uma organização que
garanta
a direção revolucionária ao proletariado por uma preparação
prolongada”. A
existência de uma organização revolucionária baseada na unidade
teórica,
tática, responsabilidade coletiva e federalismo é fundamental ao
processo
revolucionário, assim como a constituição de um exército
revolucionário.
- caso esta pré-condição não se verifique, o proletariado será
imobilizado
pelas suas próprias contradições e capitulará ou será derrotado pela
repressão da burguesia. A revolução é a guerra, e somente pela guerra é
possível destruir o poder burguês. A burguesia sabe disso. A solução
contra a guerra revolucionaria é a ditadura. No sistema capitalista, a
ampliação da quantidade e qualidade da organização das massas tem como
contra-partida o aumento da organização burguesa. Conforme aumente
polarização social em torno de reivindicações materiais (como acontece
na
Bolívia com relação ao controle do Gás), a solução final sobre os
conflitos de classes somente será dado pela violência. A tendência
então é
que a ditadura seja a solução encontrada pela burguesia, mesmo que uma
“ditadura constitucional”, ditadura disfarçada sob mecanismos
democráticos, como já testemunhamos na América Latina. Quando o
movimento
de massas enfrenta uma situação pré-revolucionária, se ele não dispuser
de
organizações revolucionarias preparadas para tal, a burguesia terá
tempo
de reagrupar suas forças e lançar uma ofensiva para destruir o
movimento
de massas. É isso que a burguesia boliviana tenta fazer ao reunir o
Congresso Nacional em Sucre, e ao deslocar tropas do exército para a
capital do país, La Paz, e fazer acordos para garantir eleições, ao
mesmo
tempo em que Vaca Diéz, do MIR, tenta articular saída “militares”. Os
acordos dão tempo para o Estado boliviano se reorganizar e desarticular
o
movimento popular pela repressão e cooptação.
- uma outra lição, é a que mostra o potencial revolucionário do
campesinato e a importância das contradições étnicas para a luta de
classes. A crise econômica da Bolívia está diretamente ligada à
desigualdade social entre uma massa de camponeses indígenas e uma
burguesia criolla que controla a agroindústria. Na atual etapa do
capitalismo mundial, a América Latina ocupa um lugar periférico na
divisão
internacional do trabalho, uma posição fundamentalmente
agrário-exportadora, como é o caso da Bolívia. As contradições
econômicas
entre burguesia rural e campesinato e proletariado rural ganham
dimensão
estratégica. O caso da Bolívia indica que as nossas análises contida no
documento “A Revolução Social no Brasil” (2004), e “As Reformas do
Governo
Lula e a Tarefas do Proletariado” (2005), pelo menos ainda na atual
conjuntura, estão corretas.
A atual situação da Bolívia merece a atenção do proletariado
internacional. Devemos apoiar, mas também interpretar teórica e
criticamente todos os passos dos movimentos de massas. Esta crise na
Bolívia oferece lições importantes para a revolução brasileira. Também
serve para mostrar a função da teoria bakuninista na elucidação dos
principais problemas da revolução.
Classe Trabalhadora – Nem um Passo Atrás ! O Povo Vencerá !
http://www.unipa.cjb.net








