sábado, julho 11, 2015

Semana Negra Gijón 2015

Vim tentar encontrar uma escritora sobre quem estou fazendo minha tese de mestrado. E vou aproveitar e compartilhar a Semana Negra com quem não conhece e está curioso pra saber.
Primeiro vou falar sobre a cidade. Gijón é uma lindeza de lugar, com muitos parques abertos, jardins, com muitas ciclovias, muitos lugares turísticos pra visitar, incluindo um aquário e o melhor: Praia! A parte não tão legal é que a maior parte do tempo é frio ou chove, mas desses dois dias que estou aqui não choveu nenhum ainda! Ainda bem!

Eu que adoro praia, fui lá dar uma olhada e tirar umas fotos. A Maria disse que é uma praia bem feia, cheia de prédios... Não se compara com as praias cheias de prédios que existem no Brasil! Pra mim, é uma praia bem bonita! - Na verdade existem umas 3 praias, mas eu só visitei uma.


Galera contente aproveitando a raridade do sol!

Voltando ao tema da Semana Negra... Cheguei um dia antes, porque achei que conseguiria falar com a Gioconda Belli cedo... Saí de casa antes das 12h, cheguei no lugar onde acontece o evento, não foi muito difícil achar, na verdade. Estou numa casa que é bem pertinho do lugar. E vi que estava fechado... Resolvi dar um rolê pela cidade, almoçar, deixar o tempo passar... Até que pelas 15h voltei e ainda estava fechado: Descobri então que só começaria depois das 17h.

Quando vi pela primeira vez...

Quando vi pela segunda vez...
Enquanto passeava pela cidade, encontrei uns lugares que mereciam uma imagem pra recordação


Detalhe da foto de cima

Enquanto em Coimbra existe a placa de "outras direções" aqui tem um caminho que vai pra todas as direções!
Ou: Todos os caminhos te levam a Roma!

Resolvi voltar pra casa e esperar que abrisse. Cheguei no evento depois das 17h e estava enchendo de gente, havia 3 exposições, pelo menos. Fui olhar duas. A primeira era sobre os confrontos entre espanhóis e a polícia. E, qual foi minha surpresa quando eu descobri que a Espanha ainda tem duas colônias na África! É que nessa exposição também mostrava africanos tentando passar pela vala fronteiriça entre Melilla e o Marrocos. Se você que está lendo não conhece suficientemente a história da Espanha, fique sabendo que Melilla e Ceuta são duas "cidades espanholas" que ficam no continente africano... Além disso havia fotos de protestos contra a lei da mordaça (trad. livre) e da PAH - Plataforma dos Afetados pela Hipoteca. A outra exposição se chama "muyeres del carbón" sobre a luta das mulheres que trabalham nas minas de carvão para que seu trabalho seja mantido, pois é a única fonte de renda da cidade, e se não há outras oportunidades essa é a maneira como essas mulheres se sustentam. Não tenho muito conhecimento sobre isso, na real, estou escrevendo o que vi nas exposições, então se escrevi algo errado diga que eu  venho arrumar! 

As fotos são bem pesadas, principalmente as do grupo da PAH, mas trouxe aqui para compartilhar:


Pessoas tentam entrar em Melilla e Pessoas jogam golf.




Legenda da foto de cima



Algumas fotos não precisam de legendas




 Muyeres de Carbón

















Bem, é isso... Esse post ficou muito longo com as fotos e tudo, então em outro post falo mais sobre a Semana Negra e se consegui entrar em contato com a Gioconda Belli!

terça-feira, junho 17, 2014

Conferência e debate aberto. "Repensando juntas: Do estigma "puta" à exploração/trabalho sexual"

Conferência dinamizada por Ana Periférica.

O trabalho sexual é um dos mais antigos da história e, ainda assim, não deixa de ser um tabu rodeado de controvérsias e estigmas na nossa sociedade. 

Designar alguém como puta não é simplesmente referir-se ao seu trabalho: o significado da palavra carrega muitos outros sentidos, todos eles pejorativos e ofensivos para com a personalidade e o corpo das mulheres, indo muito além da sua atividade profissional. 

 Ao longo do tempo, a luta por direitos laborais e pelo reconhecimento desse coletivo, na sua maioria composto por mulheres, tem sido uma dura batalha. Esquecidas pelos movimentos de luta por direitos do trabalho, viram-se deixadas na informalidade, obrigadas a organizar-se enquanto a movimento de reivindicação específico. 

O tema surge na atualidade com força, principalmente por ter ganho visibilidade em países da América Latina e em Espanha. O trabalho de associações e coletivos no estado espanhol durante os últimos 20 anos tem exigido bases como o reconhecimento das trabalhadoras por parte da cidadania, atenção às necesidades sanitárias e sociais não cobertas pela administração, a luta contra a exploração e prostituição forçada e, mais importante ainda, fomentar a organização autónoma das prostitutas. 

Consideramos assim ser relevante e oportuna a introdução deste debate na sociedade portuguesa de modo a desconstruir a imagem do trabalho sexual e criar um novo entendimento desta área através de relatos em primeira pessoa.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Código Praxe Académica. Integração?

No código da praxe, documento sem qualquer legitimidade jurídica, constam uma série de artigos que visam impor aos e às estudantes Universitári@s a “lei” da ignorância e da submissão. Basta abrir o supracitado manual de obediência cega para se perceber o universo cavernoso e medieval das práticas a que se destina.

Comecemos pela hierarquia, (note-se que as “patentes” mais elevadas se destinam aos e às que conseguirem chumbar um maior número de vezes) e que as várias designações se podem resumir (segundo o código de Praxe) em, alun@s com uma matricula –ANIMAIS - e alun@s com mais matriculas- DOUTORES/AS. Logo aqui é possível verificar que na praxe as relações não se estabelecem de todo com base na igualdade e respeito mútuos.

Além da hierarquia, este código contém uma série de punições que servem supostamente para “domesticar”, principalmente aqueles e aquelas que são designad@s por animais (embora as sanções não excluam outr@s). Por exemplo, e citando o código, artigo nº18 “a) É vedada aos bichos vestindo Capa e Batina a transposição da Porta Férrea ou porta de qualquer Faculdade. b) No caso de infracção o bicho será montado por um caloiro, por indicação de um doutor na PRAXE ou de veterano mesmo à futrica, desde o local onde se encontra até à Porta Férrea ou à porta principal da Faculdade, consoante os casos.”.

Este, entre outros casos, leva-nos inevitavelmente a questionar: Se o traje académico, segundo os defensores da praxe e da (falsa) tradição académica, é sinónimo de igualdade, porque é que o seu uso nalguns casos conduz a uma punição que prevê um retrocesso mental e físico da pessoa que o utiliza? A resposta surge-nos quase de imediato, de facto o traje não pode ser visto como uma forma de atenuar as discrepâncias sociais, uma vez que por si só cria desigualdades e hierarquias que atribuem diferentes estatutos às e aos estudantes e que submetem uns/umas em detrimento de outr@s.

Um aspecto que reflecte todo o “espírito” deste guia da irracionalidade e incoerência é o facto de surgirem uma série de artigos que se destinam a explicar como as pessoas que aderem à praxe se podem proteger dela. Ora, geralmente, as pessoas tendem a procurar protecção em caso de perigo, será que @s autores/as deste código estão sub-repticiamente a alertar @s leitores/as para o perigo da praxe? Ou será possível que a obediência cega @s tenha colocado demasiado fora da lógica ao ponto de cometerem tal incoerência despercebidamente? De facto, o acto de praxar implica um estado avançado de apatia cerebral que a médio prazo é mesmo capaz de conduzir à incapacidade de pensar, constituindo assim, uma ameaça e perigo à integridade física e psicológica daquelas/es que dela fazem parte.

A Praxe reproduz ainda uma série de preconceitos ao mesmo tempo que fabrica outros. Na verdade não se pode esperar muito daqueles e daquelas cujo passatempo é humilhar, e daqueles e daquelas cujo dia a dia se resume a obedecer. Ao passearmos a cidade, “principalmente agora que abriu a época de caça”, não é de estranhar que vejamos situações sexistas, homofóbicas, xenófobas, enfim… Será este o produto de uma formação designada como formação superior? Letras de “músicas” como “mulher gorda não convém a ninguém” ou, “Nós só queremos cuecas amarelas"

Sapatos com fivelas/Para ir à cona delas”, estas entre outras barbaridades, são entoadas um pouco por todo o país, o que esclarece e põe em evidência o nível de formação das pessoas ocupadas com a praxe. Assiste-se a uma estagnação dos indivíduos e do natural desenvolvimento psicológico que seria esperado numa altura como o ingresso no ensino superior.

O paternalismo, outra das características deste conjunto de práticas, tem o seu exponente máximo nas trupes que ditam e punem @s estudantes que se “encontrem na via pública” após o horário estipulado pelo código. Tendo em conta que até perante o Estado as pessoas a partir dos 18 anos são consideradas responsáveis pelos seus actos, parece no mínimo absurdo que sejam @s colegas a usurpar a autonomia d@s mais nov@s.

República das Marias do Loureiro.

Plataforma Anti Praxe Académica

Somos um grupo de pessoas que se organiza autónoma e livremente, lutamos para que as relações entre as pessoas se estabeleçam em igualdade e no respeito pela liberdade e autonomia individuais.

Defendemos uma universidade sem preconceitos nem hierarquias – sem praxe -! Politicamente interventiva, na qual cada uma tenha voz política activa, crítica e reivindicativa imprescindível para a mobilização e insubordinação perante o actual panorama político e socioeconómico neoliberal.

Lutamos pela não mercantilização do ensino e o livre acesso ao conhecimento numa universidade que promova a co-educação e políticas universitárias construídas com a participação igualitária de todas e todos as e os intervenientes (estudantes, professoras/es e funcionarias/os). Exigimos um ensino que compreenda o conhecimento enquanto desenvolvimento pessoal e intelectual e que promova a autonomia individual, a liberdade e o pensamento crítico.

Reivindicamos uma universidade que se insurja no combate a práticas que promovam qualquer forma de opressão, tal como o sexismo, o racismo ou o militarismo.

Por tudo isto, consideramos a praxe um instrumento de alienação que fomenta o acriticismo e a apatia no meio universitário, promovendo relações hierárquicas e valores conservadores, que atentam contra a dignidade e os direitos humanos.

Com o argumento da necessidade de integração, a praxe é um obstáculo à tua autonomia individual, desenvolvimento pessoal e intelectual plenos, fundamentais para a tomada de consciência crítica e activismo político e social comprometido com o combate às injustiças e desigualdades sociopolíticas e económicas. A praxe impõe sociabilidades que não se estabelecem através de relações espontâneas, verdadeiras e igualitárias e que promovem formas de convívio baseadas no consumismo, no paternalismo e no autoritarismo. No entanto, existem espaços de convívio sem praxe, onde somos livres e iguais e que mostram que as práticas praxistas são inúteis e obsoletas no desenvolvimento das relações entre as pessoas.

domingo, fevereiro 21, 2010

Tráfico de mulheres e crianças para fins de exploração sexual

Com a crescente globalização económica assiste-se ao crescimento explosivo da indústria sexual e consequentemente ao tráfico de mulheres e crianças. As causas são várias, desde a pobreza extrema causada pelas sociedades de mercado livre transnacional, onde as mulheres e crianças são as primeiras vítimas, até à perpetuação da cultura patriarcal e das sociedades heterofalocêntricas.Com isto queremos dizer, que ainda subsiste a dominação e subjugação das mulheres na maior parte das sociedades regidas e controladas sob uma visão masculinizante, heterossexual e branca.
Como afirma Maria Lúcia Leal (2002:31), existe "um projecto de sexualidade racionalizado pelo mercado violento da indústria sexual, cuja relação é fortalecida por uma oferta de mulheres e meninas( incluindo meninos) em situação de vulnerabilidade social, a uma demanda (especialmente masculina, pertencente a diferentes classes sociais) potencialmente voltada para o consumo de serviços sexuais pagos.(...) O que está em jogo é a satisfação do desejo sexual [ de homens] ( de propriedade do consumidor), o lucro e as relações de poder desigual instrumentalizadas sob a égide da exploração e dominação de classe, género, raça/ etnia e geração( crianças e adolescentes)."
Assim, o tráfico de mulheres e crianças não deve ser entendido como duas formas distintas de tráfico e é impossível não relacioná-lo com a prática da prostituição e o crescente desenvolvimento da indústria do sexo direccionada para homens.
Malka Marcovich refere que "as transformações geopolíticas dos últimos 20 anos, a globalização económica transnacional, a globalização da comunicação, entre outras coisas, favorecem a consolidação de novos discursos, que transformaram e perverteram a visão nascida da «libertação sexual» dos anos 70, para proveito de uma liberal comercialização das mulheres(...)em nome da modernidade e da liberdade, desenvolveu-se uma propaganda mundial que conduziu à vulgarização e ao ressurgimento de uma visão arcaica da sexualidade humana, fundamentalmente desigualitária, focalizada essencialmente no funcionamento mecânico do aparelho genital masculino, reactivando fantasmas sobre as pretensas necessidades irreprimíveis dos homens, veiculando ainda mais os estereótipos racistas e sexistas visando as mulheres de uma ou de outra origem."
As políticas dos Estados e as políticas fomentadas por instâncias internacionais como a ONU só recentemente iniciaram medidas de combate ao tráfico humano para fins de exploração sexual, desenvolvendo Protocolos e legislação, mas na realidade estas medidas não são verdadeiramente postas em prática, o que se reflecte, por exemplo, na interpretação e prática jurídica de vários Estados, nomeadamente o Estado português, sobre o tráfico de mulheres, que camuflam este fenómeno confundindo-a com a incitação à imigração ilegal, o que leva a que muitas mulheres vítimas de tráfico sejam consideradas imigrantes ilegais, e por isso punidas, enquanto os traficantes e proxenetas são apenas acusados de incitação à imigração ilegal e são impunes e livres de perpetuar o tráfico de mulheres e crianças.Este facto demonstra como a maior parte dos Estados de Direito são coniventes e compactuam com as práticas de tráfico humano e mais especificamente de mulheres e crianças, na sua maioria vítimas de tráfico sexual, dando prioridade às preocupações xenófobas para controlar a imigração em detrimento da defesa e garantia dos direitos e liberdades das mulheres e das crianças, para além dos interesses económicos gerados pelos lucros provenientes da indústria do sexo que subsiste do tráfico de mulheres e crianças e da sua exploração sexual. "Alguns estados e organizações legais estão, de maneira mais ou menos directa, associados a esta economia, o que torna por vezes impossível confiar na fiabilidade das estatísticas.Diversas agências internacionais afirmam que a exploração de seres humanos é muito mais rentável que os tráficos de armas e de droga e que as penas previstas para a primeira permanecem globalmente inferiores às que visam estes dois últimos."(Malka Malcovich)
A reacção político-económica e este fenómeno é reveladora, mais uma vez, das sociedades heterofalocêntricas que constroem e praticam os sistemas jurídicos que ainda relevam valores moralistas e discriminatórios em relação às mulheres, não dando primazia ao combate ao tráfico de mulheres e também crianças, na sua maioria dos sexo feminino.
A maior parte das mulheres e crianças traficadas são provenientes dos países pobres, os chamados países do terceiro mundo, e transportadas para os países ricos, principalmente da Europa, EUA e Austrália para ingressarem na indústria sexual. Contudo a prática da prostituição e consequente exploração sexual de mulheres e crianças está presente também nos países mais pobres, por exemplo, como forma de atracção turística- o chamado turismo sexual, além de que muitas mulheres e crianças dos países ricos também são raptadas ou coagidas a ingressar nas redes de tráfico para fins de exploração sexual.
O tráfico de mulheres e crianças é um fenómeno à escala mundial, colocando todas as mulheres e crianças sob a sua ameaça.

sexta-feira, novembro 20, 2009

Manifesto

Porque lutamos por um ensino público, gratuito e de qualidade encarado como enriquecimento individual e colectivo.

Porque reivindicamos o livre acesso ao conhecimento e um ensino não orientado pelo mercado de trabalho onde a educação não seja mercadoria.

Porque nos recusamos a aceitar as políticas neoliberais autoritárias e repressivas impostas pelo Estado e as suas repercussões nas Universidades como a implementação do processo de Bolonha e a progressiva privatização do ensino superior.

Porque consideramos as prescrições uma forma de punição sobre as/os estudantes.

Porque somos contra as medidas do RJIES que acabam com a universidade democrática, impondo uma nova organização nas universidades com a implementação do novo Conselho Geral da Universidade onde há a representação de órgãos externos em detrimento da perda de representatividade das/os estudantes.

Porque lutamos pela auto-gestão das instituições de ensino e reivindicamos o final de uma organização e gestão hierarquizadas.

Porque reivindicamos uma co-educação, anti-patriarcal, laica e contra quaisquer outros grupos de pressão.

Porque as políticas neoliberais impostas pelo Estado não afectam só as/os estudantes mas a sociedade em geral promovendo injustiças e desigualdades sociais.

Porque nos recusamos a aceitar políticas autoritárias e repressivas.

Porque recusamo-nos a ser governadas/os por quem não nos quer ouvir.

Porque não podemos consentir que nos suprimam as liberdades individuais e colectivas.

Porque não queremos regressar ao passado autoritário e repressivo.

As vozes não se podem calar frente às sucessivas medidas políticas que nos usurpam direitos essenciais e instigam a injustiça e desigualdades.

Continuaremos a ser insurgentes.
Continuaremos a desobedecer.
De escravas dóceis do capital a lutadoras conscientes pela liberdade.

Este manifesto foi feito para ser distribuído na Manifestação de 17 de Novembro de 2009 em Lisboa organizada por algumas associações académicas do país, lamentamos que tenham apelidado esta manifestação de "Marcha pelo Ensino superior" nomeação que transparece sem dúvida a ambiguidade das posições políticas destas associações, principalmete a da associação académica de coimbra, na qual não nos revemos considerando que a nossa demanda principal para o ensino superior é a luta por ensino público, gratuito e de qualidade liberto de uma visão mercantilista e economicista,esta associação nesta "marcha"e em toda a sua actividade sob o comando da direcção geral dizem não ser contra, mas por mais financiamento, acção social e ensino de qualidade, deixando de lado a luta contra as propinas e bolonha , bem como a defesa de um ensino público e gratuito, de facto não consideramos que defendam realmente os direitos das/os estudantes, por estas razões e por muitas outras mais resolvemos escrever este manifesto no sentido de expressar a nossa revolta e resistência contra o neoliberalismo emergente nas políticas dos Estados, incluindo o Estado português, que afectam não só as/os estudantes MAS MUITAS MULHERES, HOMENS E CRIANÇAS QUE DIARAMENTE TENTAM A SOBREVIVÊNCIA NUM MUNDO DE MISÉRIA E INJUSTIÇAS...Consideramos que as/os estudantes devem ter consciência da sociedade em que estão e estar implicados na luta por um mundo mais justo, igualitário e não apenas preocupados com os seus próprios interesses comportando-se como um grupo elitista à parte da sociedade e da política.......

sábado, agosto 08, 2009

Ministério da Saúde discrimina homossexuais. PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
A Não Te Prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais, repudia fortemente a orientação assumida pelo Ministério da Saúde em documento enviado à Presidência do Conselho de Ministros no passado dia 10, e noticiado pelo Jornal de Notícias de Hoje, onde alega que

A necessidade de garantir que os potenciais dadores não têm comportamentos de risco que, em termos objectivos e cientificamente comprovados, podem constituir uma ameaça à saúde e à vida dos potenciais beneficiários, leva à exclusão dos potenciais dadores masculinos que declarem ter tido relações homossexuais.

Esta orientação constitui uma grave violação do princípio da igualdade garantido pela Constituição da República Portuguesa. O seu artigo 13º é claro: nenhum/a cidadão/cidadã pode ser discriminado em função da sua orientação sexual. Ora, proibir homens homossexuais de doar sangue só por terem relações homossexuais é manifestamente uma prática discriminatória sem qualquer fundamento científico. Científico é o facto de comportamentos de risco deverem ser, esses sim, para todos/as – homens e mulheres, homossexuais e heterossexuais - factores que originem a proibição de doar sangue e não milhares de homens, indiscriminadamente e independentemente de terem tido ou não comportamentos de risco, serem excluídos dessa possibilidade. A homossexualidade não é sinónimo de comportamentos de risco, assim como a heterossexualidade não é garante da sua ausência.

Nesta matéria têm-se observado sucessivos avanços e recuos. Após vários anos de denúncia, designadamente pelo movimento LGBT , em finais de 2005 o Instituto Português de Sangue estipulou finalmente o fim da proibição de doação de sangue por parte doadores homossexuais masculinos sustentando que, de facto, se tratava de uma estigmatização sem fundamento científico. Contudo, e como por várias vezes o movimento LGBT alertou, em muitos hospitais a prática continuava a excluir homossexuais da possibilidade de doar sangue. Perante tais factos, os/as responsáveis políticos/as foram sempre titubeantes nas suas explicações e declarações. Agora, o Ministério da Saúde assume aquilo que a prática de muitos hospitais vinha provando e que várias organizações denunciavam: uma prática discriminatória que põe de lado milhares de potenciais doadores/as quando existe sempre necessidade de sangue Estes avanços e recuos somente contribuem para o aumento do estigma em relação aos homossexuais que em nada favorece uma sociedade que se quer livre, inclusiva, democrática

Relembramos dados do relatório Infecção “VIH/SIDA - A situação em Portugal, 31 de Dezembro 2008”, do Ministério de Saúde e do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge:

Em síntese, durante o ano de 2008, a categoria de transmissão “heterossexual”, para o total de casos nesta categoria, regista 57,6% dos casos notificados (PA, Sintomáticos não-SIDA e SIDA), a transmissão associada à toxicodependência apresenta o valor de 21,9% e os casos homo/bissexuais são 16,8 % do total (2008:6).

“Os casos de SIDA apresentam a confirmação do padrão epidemiológico registado anualmente desde 2000. Verifica-se um aumento proporcional do número de casos de transmissão heterossexual (…) (2008:7)”.

Nem a ciência, nem as estatísticas, nem – acima de tudo – os princípios da não discriminação e da igualdade justificam tal orientação do Ministério da Saúde pelo que pedimos, por isso, que esta orientação seja urgentemente revista e sugerimos que a pergunta feita a todos/as os/as dadores/as seja “se têm comportamentos de risco”, em vez de se perguntar qual a sua orientação sexual.

P’la não te prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais


http://www.naoteprives.org/

segunda-feira, junho 01, 2009

MOVIMENTO PELA IGUALDADE

no acesso ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo

A igualdade no acesso ao casamento civil é uma questão de justiça que merece o apoio de todas as pessoas que se opõem à homofobia e à discriminação. Partindo da sociedade civil, a luta pelo acesso ao casamento para casais de pessoas do mesmo sexo em Portugal conta neste momento com um crescente apoio político e social. Nós, cidadãos e cidadãs que acreditamos na igualdade de direitos, de dignidade e reconhecimento para todas e todos nós, para as/os nossas/os familiares, amigas/os, e colegas, juntamos as nossas vozes para manifestarmos o nosso apoio à igualdade.

Exigimos esta mudança necessária, justa e urgente porque sabemos que a actual situação de desigualdade fractura a sociedade entre pessoas incluídas e pessoas excluídas, entre pessoas privilegiadas e pessoas marginalizadas; Porque sabemos que esta alteração legal é uma questão de direitos fundamentais e humanos, e de respeito pela dignidade de todas as pessoas; Porque sabemos que é no reconhecimento pleno da vida conjugal e familiar dos casais do mesmo sexo que se joga o respeito colectivo por todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, e pelas famílias com mães e pais LGBT, que já são hoje parte da diversidade da nossa sociedade; Porque sabemos que a igualdade no acesso ao casamento civil por casais do mesmo sexo não afectará nem a liberdade religiosa nem o acesso ao casamento civil por parte de casais de sexo diferente; Porque sabemos que a igualdade nada retira a ninguém, mas antes alarga os mesmos direitos a mais pessoas, acrescentando dignidade, respeito, reconhecimento e liberdade.

Em 2009 celebra-se o 40º aniversário da revolta de Stonewall, data simbólica do início do movimento dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros. O movimento LGBT trouxe para as democracias - e como antes o haviam feito os movimentos das mulheres e dos/as negros/as - o imperativo da luta contra a discriminação e, especificamente, do reconhecimento da orientação sexual e da identidade de género como categorias segundo as quais ninguém pode ser privilegiado ou discriminado. Hoje esta luta é de toda a cidadania, de todos e todas nós, homens e mulheres que recusamos o preconceito e que desejamos reparar séculos de repressão, violência, sofrimento e dor. O reconhecimento da plena igualdade foi já assegurado em várias democracias, como os Países Baixos, a Bélgica, o Canadá, a Espanha, a África do Sul, a Noruega, a Suécia e em vários estados dos EUA. Entre nós, temos agora uma oportunidade para pôr fim a uma das últimas discriminações injustificadas inscritas na nossa lei. Cabe-nos garantir que Portugal se coloque na linha da frente da luta pelos direitos fundamentais e pela igualdade.

O acesso ao casamento civil por parte de casais do mesmo sexo, em condições de plena igualdade com os casais de sexo diferente, não trará apenas justiça, igualdade e dignidade às vidas de mulheres e de homens LGBT. Dignificará também a nossa democracia e cada um e cada uma de nós enquanto cidadãos e cidadãs solidários/as – e será um passo fundamental na luta contra a discriminação e em direcção à igualdade.

Para assinar a petição:

http://www.igualdade.net/http://

www.petitiononline.com/mpi/petition.html